(cinco sonetos sobre o vento, a música e a solidão)
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O sopro do vento nas folhas da minha
tamarindeira Se acaso, na teia do sonho, se agita
meu coração, Tamarindeira!, se da tua sombra tenho
o usufruto, Sombra de árvore, voz do vento,
coração ardente: |
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II Sopravas, vento, mas agora não
te ouço... Por não levar comigo bilhete
de viagem. Emanação do longo e
desolado suspiro Vento, não peço, apenas
sugiro... |
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III Vem, espuma branca do mar, virtuosa
dançarina, Traz as partituras das sereias da
tua beira, Cessa teu eterno namoro com a onda, Espero por ti para procurarmos a sonda
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O vento interrompeu de repente sua
serenata. O rapaz comove-se com o olhar meigo
do animal O suco da cana vai jorrando na selha, Quadro que desafia o tempo - herança
velha, |
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V Mas tu também sonhas às
vezes, eu sei... Ainda vives imanente nas pupilas dos
meninos da beira-mar, E continuas vivo nas histórias
do povo insular, Tomar, 15 de Março de
2002 |