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As
calçadas de Mindelo têm a memória antiga
Das ruas da Canecadinha, do reboliço do porto,
Das lanchas de carvão, das zorras dos armazéns.
E têm a memória recente da festa da independência,
Das bandeiras dos partidos, dos comícios e panfletos
E das promessas eleitorais.
As calçadas de Mindelo têm a memória recôndita
Das dolorosas secas, da fome, da padiola mortuária
E do drama de nhô Ambrósio.
Seu coração de pedra chora quando chora seu povo
E sai da inércia da pedra e vibra com seu povo
Nas noites de S. Silvestre e nos blocos de Carnaval.
As calçadas de Mindelo moldam as sombras
Do corpo e da alma do seu povo
E nelas se quebra o vidro das suas ilusões.
Espalham os ecos de sonhos e quimeras
E crescem com a volumetria do progresso
E com o progresso da periferia.
As
calçadas de Mindelo são o rés-do-chão
Da história da cidade.
S. Vicente, Julho de 2002
Adriano Miranda Lima
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