O VENTO

Assaltou-me de surpresa,
Mas de certeza
Que é vento que vem por bem.
Subo para a sua providencial garupa,
E com tanta força em catadupa,
Vou deste modo comezinho
A caminho do Madeiralzinho.

Tudo à volta
É estrepitosa irreverência
De alguém que se revolta
Por perder a paciência.
Árvores de cabelo ao léu,
Despojadas de seu véu,
Ensaiam com a poeira
Em rodopio
Uma curiosa valsa ligeira.
Os cães ficaram sem pio
E até já nem se lembram
Da vertigem do cio.


Mas de súbito sou apeado da sela.
- Para onde foi a montada?
(O vento já não tuge
Nem muge...)
A poeira, ainda no ar a rodopiar,
De repente ficou sem par.
O silêncio é agora de pasmar.
Nem as persianas das janelas
Se atrevem a ranger...


Adriano Miranda Lima


V o l t a r