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Fui
ao teu cume silencioso
E só então se desfez
Meu sonho de infância
De um dia lançar-me
Do teu penedo rochoso,
Apenas liberta a corda da relutância,
Para voar na lonjura
Com asas de postura
E instinto roubado
À águia da altura.
Mas na paz íntima
Do teu recolhimento,
Descobri que teu sonho
É ainda mais desmesurado
E torna o meu
Um bizarro pensamento.
Eu só pensava
Em prosaica evasão,
Enquanto, tu companheiro,
Acalentas o sonho eterno
De teus filhos,
Sonho de água e verde encantamento!
Eis que de súbito
Quero novamente voar,
Mas agora com uma paleta
De mágico pintor
Para sobre ti derramar
Um verde vivo e luminoso,
E assim dirimir
Meu íntimo contencioso,
Para depois voar livre,
De consciência apaziguada.
Adriano Miranda Lima
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