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(À memória trágica
de Jonas Savimbi)
Não é seguramente um hino ao seu percurso político-militar no pós- independência de Angola. Esta figura deixa atrás de si um comprometedor rasto de morte e destruição. No entanto, muita coisa só a história
irá mais tarde esclarecer , quando assentar a poeira dos acontecimentos
e oferecer-se uma leitura plácida e fria de todas as circunstâncias
que enformaram a vida do povo angolano no difícil percurso da
consolidação da sua independência.. Savimbi iniciou a sua actividade guerrilheira
em 1966, no Leste de Angola, mais precisamente na região da minha
primeira comissão militar. Participei em acções
militares contra as forças do partido do Galo Negro. Verifica-se
a curiosa coincidência de ele ter sucumbido exactamente na mesma
zona (algures entre Lucusse e Luvoei ). Tudo isto confere-me uma certa cumplicidade com
esta figura. Cumplicidade que resulta de uma mescla de sentimentos:
mágoa pela forma trágica e inglória, porventura
desnecessária, como chega ao fim; admiração pelo
invulgar valor da sua liderança carismática, da sua coragem
física e da sua inteligência e argúcia. À comodidade do poder que lhe fora oferecido, preferiu a incómoda, sacrificada e arriscada vida de soldado. Sempre junto dos seus homens! Isto não pode deixar de sensibilizar um militar como eu . Daí o sentido deste poema... |