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O Menino jaz no seu leito de manjedoura.
Quadro igual a muitos na sua singular indigência
Não fosse a luz ígnea do olhar Menino
Que um pastor jura ter-se desprendido duma estrela.
Ninguém alcança ainda que seus sonhos prematuros
Percorrem já os caminhos misteriosos da alma.
Nesse instante, alva pomba cruza a noite escura e sobrevoa
Os labirintos do tempo. Dispara-se um dardo e a pomba cai,
Mas logo ela renasce e voa porque vive nos sonhos do Menino...
Os sicários da História renascem do pó dos séculos,
E da morte e da destruição fazem a orgia da História.
Porém o Menino sobrevive entre os escombros do templo...
Com cores renascentistas pintam-No e mais tarde e suas formas
Reencontram-se em nichos e presépios: o Menino evola-se então
Para o desvão da eternidade!
Artífices das ideias pensam o homem e o seu destino e o discurso
E a dialéctica dividem os espíritos e subjugam consciências.
Porém o Menino sobrevive entre os escombros das ideias...
É Natal! O lenho crepita no fogo da lareira.
Nozes, pinhas e azevinho formam o compósito circunstancial.
O luar espraia-se na rua, e por momentos parece resgatar
Um halo de eternidade. Vem aí a aurora - oxalá outra
Aurora!
No presépio, o Menino dorme sob o olhar místico de sua
mãe.
Quem sabe dos teus sonhos Menino dos nossos sonhos?
Natal de 2001
Adriano Miranda Lima
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