Quem me dera ser vento
Oh,
vento amigo que passas,
Cavalgando sobre as ondas do mar,
Que novas me dás
Da terra morena que atrás deixei?
Que recados me trazes
Da minha gente sofrida que ali ficou?
Vento
marujo, que conheces a minha fraqueza,
Por favor, fala-me da minha ilha,
Dos meus sonhos que ficaram
Com as gaivotas junto a praia,
Espraiando maresia na areia cálida.
Vento amigo marinheiro,
Conta-me as saudades...
Se acaso me esqueceram
O sabor das ondas nos meus olhos,
A areia calada que um día pisei
Lá no fundo onde o mar nao tem fim.
Vento...
Só tu sabes o segredo,
O exílio distancia dentro de mim,
A prisao psicológica do além-mar,
Esse desespero - oh vento!
Só tu sabes,
Quanta solidao habita em mim
Desde o dia em que nasceu em meu peito
Esta chama ardente
A que chamo "saudade".
Ah, quem me dera ser vento!
Ana Júlia Monteiro de Macedo Sanca