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REPUBLICA
DE CABO VERDE
MOÇÃO DE CONFIANÇA E PROGRAMA
DO GOVERNO 2006 - 2011
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PROGRAMA
DO GOVERNO 2006- 2011
INDICE
Capítulo 2 Capacitar para o desenvolvimento 33 2.1. Cultura: alma da Nação e factor do desenvolvimento 33 2.1.1. Recentrar a cultura na projecção de Cabo Verde 33 2.1.2. Qualificar a produção cultural 34 2.2. Educação para o desenvolvimento: um desígnio nacional 36 2.2.1. Modernizar para mais qualidade e equidade 36 2.2.2. Melhor eficiência e eficácia na prestação dos serviços de educação 37 2.2.3. Educação pré-escolar: qualidade e parceria 38 2.2.4. Ensino básico: uma escolaridade obrigatória de qualidade 39 2.2.5. Ensino secundário: na senda da eficácia e da sustentabilidade 39 2.2.6. Ensino superior: reforço da massa crítica para o desenvolvimento e sustentabilidade 40 2.2.7. Educação de adultos: promoção do desenvolvimento pessoal e social 42 2.2.8. Ciência e tecnologia ao serviço do desenvolvimento 43 2.3. Formação profissional e emprego 44 2.4. Mais e melhor saúde para todos 46 2.4.1. Serviço nacional de saúde moderno e sustentável 46 2.4.2. Mais e melhores serviços de saúde 47 2.4.3. Desenvolvimento dos recursos humanos 48 2.5. Juventude no centro do desenvolvimento económico e social 48 2.5.1. Apoiar o florescimento de iniciativas empresariais jovens 48 2.5.2. Formação profissional e dignificação do trabalho 49 2.5.3. Apoio à emergência de empresas jovens 49 2.5.4. Reforçar e aprofundar a participação dos jovens 49 2.5.5. Juventude e cultura 50 2.6. Desporto: dinamizar e massificar a prática desportiva 51 Capítulo 3 Justiça social e solidariedade para todos 53 3.1. Mais justiça social e solidariedade 53 3.2. Redução substancial da pobreza 54 3.3. Melhorias das condições e das relações laborais 55 3.4. Melhoria do sistema da protecção social 56 3.5. Melhoria da intervenção no domínio da menoridade 57 3.5.1. Promoção e divulgação dos direitos da criança 57 3.5.2. Protecção, reinserção social e familiar 57 3.5.3. Intervenção sócio-educativa para a responsabilidade dos jovens em conflito com a lei 58 3.6. Apoio sócio-educativo: compensar as desigualdades 58 3.7. Melhoria da intervenção na área da família 59 Capítulo 4 Pela qualidade de vida e desenvolvimento sustentável 61 4.1 Ordenamento do território, descentralização e desenvolvimento regional 62 4.1.1. Ordenamento do território 62 4.1.2. Desenvolvimento regional e coesão territorial 63 4.2. Ambiente e desenvolvimento durável 64 4.3. Desenvolvimento rural e recursos naturais 66 4.3.1. Desenvolvimento integrado das comunidades rurais 66 4.3.2. Gestão integrada dos recursos hídricos 68 4.3.3. Saneamento básico 70 4.4. Qualificação urbana e habitação 70 Capítulo 5 Mais democracia, empreendedorismo e cidadania 72 5.1 Um Estado para um país arquipelágico e de diásporas 72 5.2 Processo eleitoral: pela consolidação da democracia e da representação política 73 5.3 Descentralização e regionalização para um desenvolvimento equilibrado 73 5.4 Alargar os espaços de participação do cidadão e das organizações da sociedade civil 75 5.5. Fomentar a perspectiva género 76 5.6. Comunicação social cada vez mais livre e qualificada 77 5.7. Administração pública favorecedora do desenvolvimento e do exercício da cidadania e da democracia 80 5.7.1. Grandes Objectivos 80 5.7.2. Elementos de estratégia 80 5.7.3. Medidas de políticas 81 5.8. Justiça mais célere, ao serviço do cidadão e do desenvolvimento 82 5.8.1. Melhorar e tornar célere a resposta judicial 83 5.8.2. Garantir melhores condições de segurança nas prisões 8 5.8.3. Melhor serviço de registos, notariado e identificação aos cidadãos e às empresas 84 5.8.4. Elevar o nível do combate à criminalidade e à droga 85 5.9. Segurança nacional ao serviço da democracia e do desenvolvimento: promover a segurança das pessoas e bens e afirmar a autoridade do Estado 85 5.10. Protecção civil ao serviço dos cidadãos 88 5.11 Segurança rodoviária 89 5.12. Política de imigração 90
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PROGRAMA
DO GOVERNO PARA A VII LEGISLATURA
2006 - 2011 Introdução A 22 de Janeiro de 2006, os cabo-verdianos renovaram a sua confiança ao PAICV, apostando deste modo nos princípios e valores da ética e honestidade que pautaram a governação no período 2001-2005, no trabalho sem tréguas e na transformação de Cabo Verde num país moderno e competitivo. Os cabo-verdianos conferiram ao Governo uma base de apoio parlamentar e social reforçada, permitindo assim a continuidade das profundas transformações em curso, uma liderança com visão, com claro sentido das prioridades nacionais e absolutamente apostada na defesa dos superiores interesses nacionais Os ganhos da governação 2001-2005 são palpáveis e todos os indicadores comprovam esse facto. A democracia cabo-verdiana, alicerçada na Constituição da República, tem vitalidade. A Nação está mais confiante, temos uma sociedade mais livre e os espaços de participação dos cidadãos e do empreendedorismo individual e organizacional estão em franca expansão. O ambiente é de tolerância e de aceitação da diferença. Hoje, o Estado de Cabo Verde honra as suas obrigações nos planos interno e externo, os valores morais que sustentam a nossa Nação foram reafirmados, ao mesmo tempo que as regras de um Estado de Direito e as liberdades individuais são respeitadas e as instituições públicas consolidam-se. O país tem credibilidade externa e o cabo-verdiano acredita que o país tem futuro. Com efeito, o crescimento económico é robusto, a dívida pública é controlada, houve grandes melhorias no acesso à educação e à saúde e na luta contra a criminalidade; a infra-estruturação do país deu passos gigantescos nunca vistos. São patentes as significativas melhorias na prestação de serviços básicos às comunidades, as nossas empresas são mais sólidas e empenhadas no processo de desenvolvimento económico e social do país. Estão, pois, construídos os alicerces uma nova sociedade através de uma governação próxima dos cidadãos e mais actuante, de uma série de programas capazes de responder às necessidades do presente e, ao mesmo tempo, perspectivar o futuro , de reformas inovadoras, de uma forte parceria público/privado , traduzida no crescimento sustentado dos negócios e na criação de riqueza. A agenda do Governo consignada no presente Programa visa o aprofundamento e a aceleração dos ganhos alcançados e a prossecução da caminhada para patamares mais exigentes de desenvolvimento, num quadro de mais e melhor Democracia, num Cabo Verde com Mais Prosperidade e Futuro Melhor para Todos.
" Um crescimento continuado e de forma sustentada da economia, pautado pela modernização do país, elevação do conhecimento, da inovação, qualificação acelerada dos recursos humanos e dos serviços públicos indutores do desenvolvimento e do progresso; " Aprofundamento permanente da coesão nacional em prol de menos pobreza, mais solidariedade e mais igualdade de oportunidades; " Melhoria da qualidade de vida dos cabo-verdianos, com menos desemprego, mais e melhor qualidade ambiental, satisfação crescente das necessidades básicas (habitação, acesso a água potável, energia, saúde e educação), melhoria ascendente dos indicadores do desenvolvimento humano, melhor organização e coesão territorial. " Mais espaços de participação, onde haja cada vez mais apropriação qualitativa da democracia e da cidadania, aprofundamento e reforço contínuo da credibilidade do Estado e dos órgãos de soberania, do sistema político e dos instrumentos de segurança individual e colectiva ao serviço dos cidadãos, bem como mais e melhor diálogo com os partidos políticos, com os agentes económicos, com os trabalhadores, com a sociedade civil e respectivas organizações representativas e com as confissões religiosas; " Afirmação plena e substantiva da qualidade de Nação Global integrando no espaço e no tempo as ilhas atlânticas e as ilhas da diáspora espalhadas pelo mundo na afirmação da caboverdianidade, valorizando o quadro internacional da política externa de Cabo Verde, dando ênfase ao seu posicionamento nos planos económico e cultural, adequado ao reforço da nossa inserção e afirmação crescente na comunidade internacional: Para que haja prosperidade para todos, a acção do Governo assentará, também, em princípios e valores fundamentais do Estado de Direito Democrático, nomeadamente: "
Verdade e honestidade para com os cidadãos e lealdade institucional
em relação aos diferentes órgãos de soberania; A boa governação vem sendo factor elementar para a consolidação dos sucessos alcançados, na criação de condições da sua irreversibilidade e na crescente credibilidade do Estado e das suas instituições. O Governo continuará sendo económico na sua estruturação, eficaz na sua acção, vinculado à Constituição e à Lei, numa estreita e profícua relação entre, por um lado, referências tais como valores, princípios e regras e, por outro, as políticas do Estado. Resumidamente, o Governo continuará a pautar-se pelo imperativo moral de ter ética na condução política dos destinos de Cabo Verde, bem como na eficácia da realização económica, cultural e social dos seus concidadãos. A boa governação tem-nos merecido o melhor apreço junto da comunidade política e instituições financeiras internacionais, pelo que continuará sendo um recurso estratégico para o desenvolvimento do país, particularmente na gestão transparente e em conformidade com as Leis da República. A ética na governação continuará a guiar a acção do Governo, pelo que tudo fará no sentido da aprovação e implementação do Estatuto dos titulares de cargos políticos, de forma a haver a devida responsabilização dos mesmos na gestão da coisa pública. A governação estará mais próxima do cidadão porque os serviços públicos assegurarão melhores serviços às populações. Continuaremos a nossa atitude construtiva no sentido de assegurar um justo equilíbrio de poderes e uma cooperação institucional sã entre os órgãos do poder do Estado, em conformidade com a Constituição. Iremos contribuir fortemente para o reforço e consolidação das instituições, o aprofundamento da democracia e a procura de consensos alargados sobre matérias do maior interesse para toda a Nação cabo-verdiana. Cabo Verde é um país viável, já o demonstramos neste trinta anos de independência. O sentido patriótico, de Nação e de Estado de que o Governo é imbuído, faz com que assuma, sempre, no dever de governar, a criação de oportunidades de desenvolvimento para as cabo-verdianas e cabo-verdianos, acelerando o crescimento económico para patamares mais exigentes do desenvolvimento, a saber, mais e melhor emprego, mais e melhor educação, mais e melhor saúde, mais e melhor justiça, mais e melhor segurança, mais e melhor aposta na cultura, mais coesão social, mais estabilidade social, económica e financeira e melhor ambiente para a sustentabilidade global do desenvolvimento. Os tempos são de unidade e congregação de esforços, no respeito pelas regras do jogo democrático, pelo pluralismo de ideias e pelas diferenças, para podermos continuar a construir e afirmar a Nação cabo-verdiana!
A economia cabo-verdiana está em franco crescimento. Durante o período de 2001-2005 foi conseguido um crescimento forte e sustentado, alicerçado num ambiente macro-económico saudável. O Fundo Monetário Internacional (FMI) no seu último relatório datado de Maio de 2005 afirma: "O desempenho económico de Cabo Verde foi positivo de 2001 a 2004, permitindo que os desequilíbrios gerados em 2000 fossem devidamente corrigidos. O crescimento foi robusto (5.6%), a inflação foi baixa, a estabilidade cambial foi consolidada graças a um nível substancial de reservas internacionais, e a divida publica foi drasticamente reduzida. " as perspectivas para 2005 e depois são bastante promissoras, com taxas de crescimento económico esperadas na ordem dos 6% a 7% (2005 a 2008). "Cabo Verde está bem posicionado para atrair de forma crescente apoios e investimentos internacionais para alem de estarem criadas as condições para mobilizar um maior volume de recursos internos". Os dados disponíveis em Dezembro de 2005, relativos a vários indicadores importantes confirmam as tendências indicadas pela missão do FMI. O crescimento médio do PIB foi de 5,6% nos últimos anos. O PIB per capita cresceu à taxa média de 3,7%, o que num ambiente de baixa inflação evidencia um aumento do poder de compra dos cabo-verdianos e augura uma diminuição da pobreza, tudo se traduzindo numa melhoria do nível de vida. As últimas projecções apontam para um cenário ainda mais positivo, com uma taxa de crescimento do PIB em torno dos 7%, acima das previsões contidas no Orçamento do Estado. A inflação evidenciou um percurso descendente, tendo chegado a uma situação de deflação (-1,9%) em 2004. A meta de inflação de menos de 1% para 2005 foi cumprida, não obstante o mau ano agrícola e uma conjuntura internacional marcada pelo aumento vertiginoso do preço do petróleo. O défice orçamental foi controlado. De 2001 a 2004 o défice orçamental foi em média cerca de 3,3% do PIB, tendo atingido o valor de 1,5% do PIB em 2004, o que comparado com o ano de 2000 representa uma melhoria em cerca de 18,3 pontos percentuais. O maior rigor na gestão das finanças públicas contribuiu para a recuperação e o aumento da credibilidade externa do país, traduzindo-se numa maior mobilização de recursos externos para o desenvolvimento. As reservas cambiais que em 2000 atingiam apenas 1 mês de importações, ultrapassaram os 3,5 meses de importações no final da Legislatura anterior. Esta situação, conjugada com a estabilidade macroeconómica alcançada, reforçou significativamente a credibilidade do regime cambial do escudo cabo-verdiano, facilitando o relacionamento dos empresários com o exterior. A par da evolução positiva dos principais indicadores, assistiu-se à melhoria do ambiente de negócios, contribuindo para uma maior dinâmica da economia real, destacando-se a descida considerável das taxas de juro. Foram ainda importantes as reformas lançadas em vários domínios, quais sejam a fiscalidade, a simplificação dos procedimentos e redução da burocracia, bem como a melhoria do relacionamento com o sector privado traduzida em parcerias para o desenvolvimento empresarial. A modernização do país, no sentido da criação de condições de competitividade da economia, foi sustentada por um vasto programa de infra estruturação em domínios vitais como os transportes terrestres, os transportes marítimos, os transportes aéreos, as comunicações, etc. Como resultado, aumentou a confiança dos operadores privados. Aumentou também o nível de confiança dos emigrantes, tendo as remessas crescido significativamente (+30% em 2005). O investimento e o consumo privado aumentaram, traduzindo-se numa dinâmica acrescida da economia e em níveis de investimentos aprovados, nacionais e estrangeiros, nunca dantes alcançados. 1.2. Paradigmas de crescimento e redução da pobreza O crescimento
e competitividade da economia cabo-verdiana será o principal
eixo da actuação do Governo. Os próximos anos serão cruciais para tornar o processo de desenvolvimento de Cabo Verde irreversível. Nesta Legislatura, é propósito do Governo construir sobre a dinâmica de transformação já induzida e avançar para um patamar superior de desenvolvimento do país assente em novos paradigmas de crescimento e competitividade: "
Um crescimento forte, gerador de riquezas e movido pelo sector privado Os dois objectivos maiores da política económica serão, neste quinquénio, num quadro de reforço e fomento do sector privado, a redução drástica da taxa de desemprego com um crescimento acelerado e robusto da economia. As metas do Governo são: Reduzir
a Taxa de Desemprego para Níveis Inferiores a 10% Atingir
Taxas de Crescimento do PIB de Dois Dígitos O quadro da política económica virada para um crescimento acelerado visando um patamar de dois dígitos, e a redução da taxa de desemprego para níveis próximos de 10% requererá, igualmente: (i) A dinamização dos sectores dinâmicos da economia onde a possibilidade de criação de vantagens competitivas se conjuga com a propensão para criação do emprego; (ii) O fortalecimento de linkages intersectoriais que condicionam a promoção dos sectores dinâmicos e a implementação de medidas de politicas transversais e de coordenação operativas entre esses sectores que facilitem o crescimento harmonizado entre eles; (iii) A remoção ou eliminação progressiva dos factores inibidores da competitividade; (iv) A implementação de politicas, programas e instrumentos de promoção do investimento privado e de desenvolvimento empresarial; O Governo velará ainda pela optimização de factores chaves da competitividade global que constituem vantagens competitivas importantes para a atractividade do país do investimento privado, como sejam: " Boa Governação com realce para os aspectos ligados à transparência das operações da administração pública, promoção e protecção do investimento privado, da propriedade, liberdade e direitos cívicos, prevalência da lei, do direito à segurança física de pessoas e da propriedade; " Estabilidade macroeconómica, traduzida por politicas orçamentais e monetárias prudentes que reforcem a estabilidade da moeda, permitam a existência de um nível de reservas adequadas às necessidades das operações económicas externas do país, reforcem a sua credibilidade externa e mantenham a taxa de inflação a níveis baixos comparáveis aos países desenvolvidos. 1.3. Paradigmas de Produtividade e competitividade A questão da produtividade estará no centro das preocupações do Governo com vistas a criar melhores condições de competitividade à economia cabo-verdiana. A produtividade, como a qualidade, é uma questão transversal que atravessa todo o tecido social e produtivo. No entanto, ela põe-se com maior acuidade quando se trata da produtividade dos recursos humanos aplicados na produção de bens e serviços. O Governo criará condições para estimular ganhos de produtividade, quer através do sistema de educação, formação e qualificação profissional, quer através da sua política laboral ou ainda através da promoção do investimento privado em sectores de maior produtividade. A acção do Governo irá ainda no sentido de promover práticas de excelência empresariais, pela promoção da formação empresarial e pelo incentivo às empresas mais eficientes. O Governo agirá ainda no sentido de superar ou minimizar determinados constrangimentos que se opõem à produtividade e competitividade da economia e que se prendem, nomeadamente, com: " Dimensão. Num mercado globalizado, a dimensão é uma variável essencial. A pequena dimensão das empresas cabo-verdianas e do universo em que se integram constituem factores inibidores do acesso ao crédito, do investimento em inovação e da capacidade concorrencial. O Governo agirá no sentido de facilitar o aparecimento de empresas e grupos com dimensão que lhes permita enfrentar com sucesso a concorrência, ao menos a nível regional, em sectores chave como o turismo, os transportes aéreos, as telecomunicações, a energia e os serviços financeiros. " Custo e acesso aos factores. Durante os últimos dois anos as taxas de juro activas praticadas pelo sistema bancário sofreram uma acentuada descida e o Governo agirá no sentido de manter essa tendência. Por outro, a graduação do risco do país para o nível dos 10%, facilitará o acesso dos empresários cabo-verdianos a fontes de financiamentos mais concorrenciais. O Governo agirá ainda no sentido da continuação do programa de infra estruturação e de modernização do país, de forma a melhorar o custo dos factores de produção das empresas. (i) Para que a economia Cabo Verde continue avançando a passos largos, é fundamental que haja um ambiente ainda mais favorável e atractivo para as empresas. Neste particular, serão continuadas as políticas públicas de modernização da Administração Pública, para que dê um contributo substantivo ao sucesso da política de desenvolvimento económico e social, bem assim a qualidade e eficácia da justiça de modo a que a segurança jurídica seja uma realidade e condição essencial para o investimento e o crescimento económico. (ii) Nos últimos dois a três anos, passos marcantes foram dados na criação de um clima que não só facilite o estabelecimento e a gestão de negócios como também funcione como atracção ao estabelecimento de novos empresários, pois o que se pretende é que haja cada vez mais e melhores empresários. Neste quadro, a simplificação dos processos de criação de empresas é, sem dúvida, uma conquista importante. (iii) O aprofundamento da reforma da administração pública, nomeadamente pela via da capacitação dos servidores públicos, da simplificação dos procedimentos e da informatização será prosseguido na próxima legislatura e traduzir-se-á na redução significativa das barreiras administrativas.
Os produtos da cultura cabo-verdiana são, por definição, únicos (música, literatura, culinária, festas de romaria, património material); a localização geográfica e o clima que dela resulta são únicos; as qualidades da nossa população são únicas, a geografia das ilhas é única. Importa pois imprimir alta competitividade nos sectores de actividade económica que são tributários desta vantagem, através de politicas públicas específicas de qualificação e promoção. O Governo desenvolverá todos os esforços no sentido de tornar esses factores em elementos de competitividade do produto turístico, dos produtos de exportação e das oportunidades de investimento em Cabo Verde. 1.4. Paradigmas da Inovação, qualificação e emprego Num mundo globalizado, o conhecimento e a gestão do conhecimento surgem como elementos diferenciadores de competição, em que a lógica é a de que quanto maior o conhecimento, maiores as possibilidades de se ser competitivo. Na busca da competitividade, investir no capital intelectual tornou-se uma necessidade para as empresas, independentemente do tamanho que tenham. Convicto que o desenvolvimento e a gestão de processos empresariais competitivos estão intimamente ligados ao conhecimento, o Governo não poupará esforços no sentido da disponibilização de serviços e mecanismos de formação profissional e permanente capacitação dos trabalhadores para o mercado de trabalho, de forma a satisfazer a crescente procura de trabalhadores com níveis elevados de qualificação. O Governo
também apostará no desenvolvimento das Novas Tecnologias
de Informação (ver adiante) O sector terciário que encerra maiores possibilidades de competitividade da economia nacional, particularmente nas áreas de serviços, é um sector de saber e tecnologia intensivo. Requer pois alta qualificação do factor humano. Os trabalhadores cabo-verdianos terão que ser formados de forma a tirarem partido das oportunidades do mercado de trabalho nos sectores mais dinâmicos e empregadores da economia, ao mesmo tempo que deverão adaptar-se a novos métodos de avaliação e a sistemas salariais que ligam o valor dos salários à produtividade. O Governo não poupará esforços no sentido da disponibilização de serviços e mecanismos de formação profissional e permanente capacitação dos trabalhadores para o mercado de trabalho que se sofistica a cada dia que passa, de forma a satisfazer, a uma crescente procura de trabalhadores com níveis elevados de especialização e de produtividade. O Governo terá na formação e qualificação profissional uma das suas grandes prioridades. Será implementado o Plano Estratégico de Formação Profissional. Em particular, será adoptado, com urgência, um Plano Nacional de Formação para o Turismo, com identificação das necessidades para os próximos anos em qualificações, das instituições intervenientes, a forma de coordenação institucional e as modalidades de cooperação envolvendo operadores privados, centros de formação, instituições de ensino e as autarquias locais, sem prejuízo de prossecução de algumas iniciativas já assumidas e em curso de desenvolvimento. Por outro lado, a Lei Laboral deverá ser reformada e, no sentido de responder as realidades do mercado de trabalho, ter, nomeadamente, flexibilidade suficiente para evitar perturbações no crescimento económico, bem como enquadrar as relações informais de trabalho que representa 25% do emprego, e o trabalho independente que representa 40% do emprego. As reformas a serem introduzidas deverão caminhar no sentido da flexibilização, da facilitação do emprego e do aumento da produtividade. 1.5. Paradigma da Qualidade Para vencer os desafios da globalização, as empresas cabo-verdianas terão de conseguir situar-se nos elos mais elevados da cadeia de valor, priorizando a inovação, a diferenciação e, sobretudo, a qualidade. Consciente da importância crescente da qualidade, numa altura em que Cabo Verde adere à OMC e se confronta com a necessidade de exportar produtos e serviços "made in Cabo Verde", o Governo, para desenvolver uma base produtiva sólida e competitiva, irá apostar no desenvolvimento de uma Politica de Inovação, assente nas novas tecnologias de informação, na da Propriedade Intelectual e na Gestão da Qualidade, bem como na criação de normas e padrões para os produtos e serviços de origem cabo-verdiana. O Governo criará um Departamento de Gestão da Qualidade, que será a célula organizativa encarregue pela implementação e gestão das questões relativas à qualidade, isto é, pela elaboração, registo e publicação das normas nacionais, pela criação e implementação do Sistema Nacional da Qualidade, pela gestão das questões relacionadas com a metrologia, certificação e creditação, enfim, pela promoção do produto cabo-verdiano. Sendo a qualidade uma imposição crescente de qualquer organização, o Governo irá igualmente incentivar a adopção pelas empresas de meios e recursos necessários ao desenvolvimento de produtos e serviços de qualidade e à sua melhoria contínua, apostando na criação e desenvolvimento de uma cultura de certificação da qualidade, sobretudo para uma normalização centrada no mercado e na melhoraria da estrutura e funcionamento das organizações. 1.6. Sector terciário, sector de crescimento e emprego As mudanças estruturais ocorridas na economia cabo-verdiana resultam essencialmente do sector terciário cuja trajectória ascendente na composição do BIP e geração do emprego tem sido um dos traços essenciais caracterizadores da economia. A ascensão do sector terciário tem sido ditada pelo forte desempenho do turismo, dos transportes, da banca e dos seguros. É no Sector Terciário, que se concentram vantagens comparativas que mais facilmente poderão ser transformadas em fontes de vantagens competitivas e que têm uma grande propensão para atrair investimentos privados e para a criação do emprego. A reafectação de recursos de sectores menos produtivos para mais produtivos impulsionados pela ascensão e predomínio do investimento privado resultou no aumento da elasticidade do emprego em relação ao crescimento; O sector terciário, particularmente o turismo, encerra grandes potencialidades de linkage de crescimento a jusante e a montante com outros sectores, ou seus componentes como sejam a construção no sector secundário que é fonte importante de geração de emprego, o sector primário que pode ver o mercado para seus produtos de pesca e agro-pecuários alargar-se significativamente e os transportes nos seus componentes rodoviário, aéreos e marítimo, internacional e inter-ilhas e ainda os serviços financeiros. O quadro da política económica terá em consideração outras importantes constatações da dinâmica do desenvolvimento sectorial e sua relação com a geração do emprego. Neste particular são de realçar as situações seguintes: 1.7. Aumentar a competitividade dos serviços, pela via de sua crescente internacionalização Dentro do Sector Terciário destacam-se outros segmentos de serviços como impulsionadores do crescimento e geradores do emprego. Os segmentos dos transportes, das telecomunicações, dos serviços financeiros destacam-se como segmentos dinâmicos de crescimento e de grande propensão para geração do emprego. Assim, dentro do quadro da politica económica centrada no crescimento acelerado e redução drástica do desemprego, e também pela importância que detém como segmentos de apoio ao desenvolvimento do turismo, esses segmentos devem ser objecto de intervenção especial através de políticas públicas que aumentam sua eficiência e facilitem a transformação de Cabo - Verde num centro competitivo de serviços internacionais. As políticas e programas devem ser direccionadas particularmente para serviços de entrepostagem comercial e industrial, transhipment de carga, marítima e aérea, entrepostagem e comercialização da pesca baseada na captura internacional e nacional, registo internacional de navios, serviços á aviação, serviços de telecomunicações, serviços financeiros, reparação naval bankering, e fornecimento de mão-de-obra especializada à marinha mercante e pesca internacional. A transformação de Cabo Verde num centro de serviços internacionais deve assentar nos seguintes eixos estratégicos: ¢ Politicas e programas que promovam o aproveitamento inter-modal do conjunto porto aeroporto para prestação de serviços internacionais. A existência efectiva e prevista de instalações portuárias e aeroportuárias adequadas nas Ilhas do Sal, Santiago e S. Vicente, são pilares essências para implementação dessas politicas. Neste contexto, as infra-estruturas em construção ou programadas devem ser preparadas para facilitar esta estratégia. São particularmente relevantes os portos da Praia e de Palmeiras que devem ter a dimensão e equipamentos adequados, bem como melhorias no aeroporto da Praia. ¢ Uma oferta de serviços internacionais integrados, de modo a que as vantagens competitivas de uns compensem a relativa desvantagem de outros e as sinergias entre eles resulte em ganhos globais de competitividade. Assim por exemplo os serviços marítimos portuários devem ser oferecidos em pacotes coerentes de produtos portuários, de reparação naval, de fornecimento de mão-de-obra qualificada, entrepostagem frigorifica, e registo internacional de navios e transporte de passageiros e carga aérea internacionais. ¢ Relativa especialização dos centros de prestação de serviços internacionais consoante suas vantagens competitivas. Nesta perspectiva Mindelo deve focar nos serviços marítimos, mas sempre mas com a vantagem de ter um aeroporto internacional; Sal nos serviços aéreos mas procurando alargar a oferta de produtos com aproveitamento do porto de Palmeiras e oferta de produtos turísticos; Praia deve tirar vantagens de sua ligação aérea directa com continente africano, Brasil e Estados Unidos, e de um porto que vai ser ampliado e modernizado. 1.8. Modernizar e Internacionalizar o Sistema financeiro A transformação de Cabo Verde exige um sector financeiro moderno, dinâmico e eficiente na medida em que o desenvolvimento de serviços financeiros eficazes e eficientes deve constituir, a prazo, um dos alicerces da economia nacional. Por isso, o Governo continuará a atribuir uma prioridade estratégica ao aprofundamento do sector financeiro. Um sector financeiro capaz de induzir o crescimento da economia. Um sector financeiro que em si seja um motor de crescimento. Na última legislatura, o Governo imprimiu uma dinâmica positiva ao sector financeiro, em sintonia com a trajectória ascendente da economia. Foram criados novos instrumentos e produtos, desenvolveu-se um sistema de acompanhamento e gestão do risco, expandiu-se a utilização de cartões de crédito internacionais no país, criou-se uma rede electrónica de caixas automáticas, reforçou-se o quadro legal relativo ao branqueamento de capitais, reforçaram-se as funções de regulação e supervisão do Banco Central. Por outro lado, foram lançadas as bases para a construção de uma praça financeira em Cabo Verde. Nesse contexto, foi criado o dispositivo jurídico-institucional necessário ao lançamento de novos produtos financeiros indispensáveis à atracção de instituições financeiras internacionais, sendo de salientar as seguintes medidas específicas: "
Aperfeiçoamento do regime legal das actividades das Instituições
Financeiras Internacionais; Os resultados dessas iniciativas estruturantes já se fazem sentir. Já se notam grandes avanços em termos de modernização dos produtos e serviços bancários. Há sinais de maior concorrência, com sucessivas descidas nas taxas de juro. Novos produtos de captação de poupanças e de financiamento estão a ser montados, o que virá garantir o financiamento em condições cada vez mais favoráveis. A construção da praça financeira avança: a arquitectura legal e institucional está montada, há já várias instituições instaladas e diversas outras iniciativas estão em curso de desenvolvimento e instalação. Nos últimos cinco anos, com a adopção da nova lei orgânica do BCV, da redução do financiamento interno do Governo, da continuação da modernização do sistema de pagamentos, do aumento das reservas cambiais e da entrada de novas instituições, o sistema financeiro nacional conheceu uma importante melhoria da sua envolvente institucional. No próximo mandato, para além da consolidação destas políticas de melhoria da envolvente institucional, o objectivo central a nível do sector financeiro será o aumento da concorrência e o aprofundamento do sector, com destaque para a entrada de novas instituições financeiras e o surgimento de produtos e serviços financeiros especializados, mais adaptados às necessidades específicas do empresariado nacional. As condições estão solidamente criadas para que este processo de desenvolvimento do sistema financeiro se consolide e se aprofunde no próximo quinquénio. Para tal serão desenvolvidas e implementado um conjunto de iniciativas específicas alicerçadas em cinco eixos estruturantes: (i) Promoção da competitividade do sistema financeiro - com base neste princípio promover-se-á a consolidação do processo de abertura do sistema financeiro a outros operadores, de modo a tornar o sector mais competitivo e concorrencial. Por essa via, serão também melhoradas e facilitadas as condições de acesso dos investidores a capitais de longo prazo assim como o acesso ao mercado internacional de capitais; (ii) Promoção da Praça de Financeira de Cabo Verde - serão desenvolvidas politicas que estimulem a instalação completa de actividades de instituições financeiras em Cabo-Verde, de modo a que do seu estabelecimento em território nacional resulte maiores ganhos em empregos especializados, transferência de conhecimentos e financiamento da economia nacional. Neste quadro, serão desenvolvidos através de parceria público-privado projectos de desenvolvimento imobiliário e de requalificação urbana que facilitem a construção na Praia e em Mindelo de edifícios modernos utilizáveis pelas instituições financeiras internacionais; serão incentivadas a instalação e ampliação de infra-estruturas de telecomunicações baseadas em tecnologias de ponta que permitem o abaixamento considerável do custo de telecomunicações; a Bolsa de valores de Cabo-Verde, será dinamizada e aperfeiçoada e será implementada um campanha de promoção internacional da praça financeira de Cabo-Verde. (iii) Melhoria da gestão do risco de crédito - concorrerão para este objectivo a melhoria do quadro regulador, a capacitação dos intermediários financeiros e o lançamento de um programa de "Garantia de Crédito", devidamente suportado pelas agências de financiamento internacional. (iv) Melhoria do acesso das MPMEs ao financiamento - Neste contexto promover-se-á a capacitação dos empresários e das empresas, reforçar-se-á a natureza catalizadora do Fundo de Competitividade, possibilitando às MPME's a contratação da assistência técnica necessária à elaboração e negociação de projectos de investimento e à reestruturação organizacional das empresas; (v) Focalização do papel do Estado no sistema financeiro - Neste contexto, para além do reforço do papel do Banco Central enquanto órgão de regulação e supervisão do sistema, serão ainda implementadas diversas iniciativas em linha com o papel do Estado enquanto agente indirecto do sistema financeiro: (i) Avaliação e desenvolvimento do quadro legal, com ênfase em medidas práticas de facilitação da criação e funcionamento de novas instituições e instrumentos financeiros especializados adequados à realidade nacional tais como o micro-crédito, a locação financeira e a cessão de crédito; (ii) Construção / implementação de um quadro legal regulador da actuação de instituições de micro-crédito e que possa servir de orientação e supervisão do sector; (iii) Continuação do desenvolvimento do sistema de pagamentos pela via de renovação da infra-estrutura tecnológica e melhoria do quadro normativo, facilitando assim o crescimento e o aumento da eficiência do sistema financeiro formal, com vantagens para os aforradores e para os investidores nacionais; (iv) Promoção do desenvolvimento sustentável do mercado de capitais, pela via da revisão do Código do Mercado de Valores Mobiliários de modo a, entre outros aspectos, flexibilizar os requisitos de admissão à cotação de valores mobiliários; (v) Adopção de normas e práticas internacionais pelas instituições financeiras nacionais, facilitando assim o processo da sua internacionalização; (vi) Reestruturação da Sociedade de Desenvolvimento Empresarial (SDE) como uma alternativa de financiamento às PME's, nomeadamente pela via da promoção do capital de risco e do reforço da capacidade técnica da instituição em matéria de desenvolvimento e supervisão de projectos de investimento. 1.9. Sociedade de informação: uma opção de competitividade 1.9.1 Sociedade da informação é uma opção estratégica para a Transformação Hoje, é consensual que a próxima fase de desenvolvimento dos países e da humanidade passa pela aposta no desenvolvimento da Sociedade da Informação e do Conhecimento. Por este motivo, a comunidade internacional e os diversos países estão a desenvolver estratégias concertadas e individuais para a promoção do desenvolvimento da Sociedade da Informação (SI), por vezes designada de forma mais abrangente como Sociedade do Conhecimento. Neste contexto, Cabo Verde tem vindo a dar passos significativos. O Programa Estratégico para a Sociedade da Informação (PESI), aprovado em Outubro de 2005, descreve a estratégia para o desenvolvimento da Sociedade da Informação em Cabo Verde, representando o culminar de um processo de envolvimento alargado da sociedade cabo-verdiana e o início de um desafio extremamente importante para o país e para o bem-estar dos seus cidadãos. Com o desenvolvimento da Sociedade da Informação pretende o Governo criar um impacto determinante na transformação de Cabo Verde, em todos os domínios de actividade humana, na organização da produção, na forma de trabalhar, no processo de distribuição de bens e serviços, no processo educativo, na disseminação da cultura, na prestação de serviços públicos, sociais e de saúde, na justiça, e na forma de governar e de interagir com os cidadãos. Como factor de coesão interna, as TIC oferecem oportunidades de integração de uma economia insular como a de Cabo Verde nos mercados globais a custos mais reduzidos, de criar empregos com menor nível de investimento de capital, de prestar serviços públicos de forma mais eficiente, entre outras, contribuindo, ao mesmo tempo, para o reforço da coesão nacional, diminuindo os efeitos da insularidade, nomeadamente no importante sobre o reforço dos laços com a diáspora espalhada pelo mundo fora, no sentido da construção de uma Nação cabo-verdiana Global, reunida numa vasta teia de inter-conectividade. O Governo tomará as medidas necessárias para que essa construção de acompanhe de transformações sociais, legislativas, económicas e organizacionais. A aposta fundamental e sustentável passa pela cibercidadania, isto é, pela democratização e massificação do processo digital e pela construção de novas formas de organização sócio-económica e de governação. Enfim, com o desenvolvimento da Sociedade da Informação enquanto opção estruturante pretende o Governo obter resultados concretos para os grandes desafios de desenvolvimento do país: "
Maior competitividade e crescimento económico; 1.9.2. As TIC: factor de competitividade da economia e fonte de novas oportunidades de desenvolvimento. As TIC são uma oportunidade para Cabo Verde. A deslocalização produtiva provocada por esta economia do conhecimento, permite a Cabo Verde criar uma indústria TIC baseada nas suas vantagens competitivas, nomeadamente, em segmentos na cadeia de valor onde serviços desintermediados geograficamente (teletrabalho) poderão ser prestados de forma mais competitiva em Cabo Verde, por exemplo, os serviços associados a call centres, BPO, produção de conteúdos multimédia, desenvolvimento de software, aplicações web, etc. O objectivo
é acrescentar o sector das TIC como um dos vectores de especialização
de Cabo Verde, para além do Turismo, Pescas, Indústria
Ligeira, Transportes, aliás associado ao projecto de montagem
de uma nova praça financeira em Cabo Verde e à actual
capacidade no sector das telecomunicações. a) Apoiar a modernização e aumento da competitividade do tecido empresarial, dinamizando simultaneamente a concorrência interna e preparando as empresas dos sectores chave da economia cabo-verdiana e com vocação para a exportação para competirem no mercado global; b) Dinamizar o desenvolvimento dos negócios electrónicos, que constituem uma via cada vez mais importante de acesso aos mercados mundiais, combatendo o problema da insularidade e de periferia do território de Cabo Verde; c) Apoiar o surgimento de uma nova economia pela criação de novas empresas servindo o mercado interno e inseridas em redes mundiais, que irão contribuir alargamento da base produtiva de Cabo Verde, minimizando as limitações de periferia territorial de Cabo Verde. d) Adoptar medidas verticais da Administração Pública que estimulem o acompanhamento pelas empresas e grupos sociais na utilização das TIC; e) Capacitar e mobilizar as empresas privadas para a prestação de serviços nos projectos de modernização da Administração Pública e de prestação de serviços sociais; f) Definir um modelo de intervenção integrado, que enderece todos os factores críticos de sucesso, em complementaridade e forma sinergética, em termos de acções concretas e específicas; Para este efeito, o Governo prevê um conjunto de programas integrados de intervenção à volta de três eixos de actuação: "
Aumento da Competitividade da Economia e das Empresas; 1.9.3. As TIC na modernização e competitividade do tecido empresarial. As empresas cabo-verdianas e a própria economia de Cabo Verde enfrentam o desafio da competitividade e da inserção na economia global. A pujança da economia de Cabo Verde vai depender fortemente do incremento da competitividade das empresas através da introdução das TIC nos processos de trabalho, da exploração do potencial dos negócios electrónicos e da criação de novas empresas de tecnologias de informação e comunicação. O Governo agirá no sentido de tornar as empresas mais produtivas e competitivas através da maior utilização das TIC (ou seja, as TIC como alavanca). Por outro lado, adoptará medidas para desenvolver um sector TIC capaz de servir as necessidades de modernização do tecido empresarial com o intuito de promover o crescimento económico e criar empregos, aproveitando as oportunidades resultantes da deslocalização produtiva de certas partes da cadeia de valor das TIC e crescimento deste sector a nível mundial, ou seja, as TIC como sector de desenvolvimento. Para estimular a disseminação das TIC no tecido empresarial, o Governo adoptará medidas tais como: "
O incentivo ao investimento em TIC por parte das empresas; 1.9.4. Governação Electrónica: aproximar a governação dos cidadãos. No que respeita a administração do Estado, a Governação Electrónica é fundamental na redução dos custos de contexto para atracção do investimento directo estrangeiro e a competitividade das empresas instaladas, nomeadamente através da melhoria da prestação dos serviços públicos às empresas, redução da burocracia, transparência e boa governação. A Administração Pública é o maior consumidor de TIC em Cabo Verde quer para modernizar a máquina do Estado, quer para modernizar sectores sociais como a Educação e a Saúde, que requerem infra-estruturas tecnológicas e aplicações específicas à sua actividade.
O desenvolvimento económico, social e humano do país, bem como de uma sociedade baseada na informação, no conhecimento e na aprendizagem/ inovação requer um investimento na aprendizagem de novas competências em TIC em todo o ciclo formativo, na escola, no ensino superior e ao longo da vida, orientado para os jovens, para os trabalhadores e empresas, para os cientistas, para a Administração Pública, para técnicos profissionais e profissões emergentes e para os cidadãos em geral. Os Institutos Técnicos Superiores e a futura Universidade de Cabo Verde serão determinantes na formação e aumento da qualificação dos recursos humanos nas áreas de TIC e no apoio às novas empresas na elaboração de planos de negócio, planos técnicos de infra-estruturação, gestão e manutenção do parque informático, concepção ou parametrização de aplicações. Adicionalmente, a parceria entre as empresas e o mundo científico é fundamental para a investigação e desenvolvimento necessários à introdução de inovação no sector económico. No âmbito desta visão, serão definidas políticas e mecanismos que mobilizem as TIC para a qualificação do capital humano de Cabo Verde, actuando em duas vertentes: i) no aumento da qualidade e do acesso ao sistema educativo e formativo e ii) na formação dos cidadãos em TIC. O enfoque será na promoção de condições equitativas de acesso às TIC nas escolas primárias e secundárias, na dinamização de campus virtuais e do ensino a distância, na formação permanente dos professores, no desenvolvimento de novos currículos nas TIC, e na formação em TIC para os vários segmentos da população. O objectivo transversal é promover uma cultura digital de maior participação através das TIC e a aprendizagem constante, aumentar sem clivagens os utilizadores de computadores e comunicações na Administração Pública, nas empresas e na sociedade em geral, e formar especialistas, professores, cientistas e técnicos intermédios e superiores em TIC. Neste âmbito o Governo propõe-se implementar uma nova abordagem, inovadora e ambiciosa, na capacitação dos recursos e na formação das novas gerações para que sejam realizadas todas as vantagens e oportunidades proporcionadas pelas novas tecnologias da informação e da comunicação, seguindo três eixos de actuação, cada um procurando ir ao encontro das necessidades específicas dos vários segmentos da população no sentido de educar, graduar e formar continuamente: - TIC nas
Escolas; E os seguintes projectos âncora: "
Programa de Apetrechamento e de Informatização das Escolas
Primárias e Secundárias; 1.10. Promoção do Sector privado e desenvolvimento empresarial. Ao sector privado é reservado o papel de motor do crescimento. Ao Estado competirá regular a economia e criar condições para o seu desenvolvimento. Por isso, é objectivo do Governo apoiar a criação de um tecido empresarial forte e dinâmico. O investimento privado ultrapassou já o investimento público no financiamento do crescimento da economia cabo-verdiana. O investimento privado tem-se concentrado em sectores mais dinâmicos e competitivos, facilitando assim uma melhor afectação dos recursos com incidência notável na produtividade e modernização tecnológica. O investimento privado externo, representa 50% do investimento privado, contribuindo decisivamente para colmatar as insuficiências quantitativas da poupança interna para o investimento e sobretudo para ganhos de produtividade, devido à sua concentração em sectores dinâmicos. A Boa Governação e a Estabilidade Macroeconómica são os pilares fundamentais da competitividade global do país para promover o investimento privado. Contudo políticas específicas e pró-activas da promoção do investimento privado vão ser prosseguidas. Os principais obstáculos ao desenvolvimento do sector privado continuam a ser as dificuldades de acesso ao crédito, a pequenez do mercado, a formação e qualificação profissional, a assistência técnica para a elaboração e montagem de projectos e uma gestão moderna. Assim, as politicas de promoção do sector privado nacional serão dirigidas no sentido de: " Reforço do Fundo de Crescimento e Competitividade, nomeadamente através de recursos financeiros gerados pelas receitas das privatizações, e seu direccionamento prioritário para sectores mais competitivos da economia. Este Fundo procurará responder as necessidades de formação e assistência técnica das PME; " Implementação do Projecto "Cabo Verde Competitivo", cujo objectivo principal é a informação ao empresariado e a sociedade em geral sobre as politicas estruturantes do Governo e as oportunidades de investimentos; " Instituição de um quadro institucional e de incentivos para estabelecimento e operação de locação financeira. As políticas irão no sentido de concessão de incentivos fiscais e simplificação institucional permitindo a agregação dessas operações à actividade da banca. A operação de locação financeira é uma das opções fundamentais para colmatar as dificuldades do empreendedor nacional na realização do capital próprio e ajusta-se bem necessidades das PME; " Igualmente, serão tomadas medidas incentivadoras ao estabelecimento de operações do capital de risco, incluindo sua agregação funcional às operações da banca; " Transformação da Sociedade de Desenvolvimento Empresarial (SDE) numa instituição financeira ou para-financeira dedicada ao financiamento de projectos das PME. Esta transformação implicará o aumento do capital da sociedade, reforço da sua capacidade institucional e operativa; " Reforço da articulação entre a Cabo Verde Investimentos (CI) e a SDE visando a integração da prestação de serviços financeiros com a prestação de serviços de aconselhamento e assistência técnica as PME. Nesta perspectiva o Governo tomará as medidas que facilitem o aproveitamento de sinergias entre a SDE, o CI e os serviços das Câmaras de Comércio; Relativamente a promoção do investimento externo o Governo adoptará medidas de promoção para responder a situações que têm a ver com (a) investimentos externos de pequenos aforradores em empreendimentos imobiliários, e em pequenos negócios particularmente e a montante e a jusante do sector do turismo (b) incremento do investimento no sector financeiro, particularmente em instituições financeiras internacionais (c) investimentos imobiliários integrando equipamentos turístico e residencial (d) investimentos de portfolio através de fundos de investimento cotados na Bolsa de Cabo-verde e através de participação de aforradores estrangeiros em empresas nacionais cotados também na Bolsa. O Governo tomará medidas para conferir maior dinâmica ao investimento, nomeadamente: " Adopção de medidas especificas de especialização e de introdução de alto grau de profissionalismo, eficiência e eficácia promoção do investimento; " Medidas legislativas e regulamentares que facilitem a instalação no país de empresas prestadoras de serviços para o mercado internacional; " Promoção de parcerias público privada para construção e gestão de unidades prestadoras de serviço de saúde, uma condição importante para estimular o investimento na imobiliária residencial; " Promoção de parcerias público-privado para o financiamento de infra-estruturas importantes para o crescimento e a competitividade da economia; " Urgentes reformas nas Alfandegas, de modo a permitir o rápido desembaraçamento de mercadorias e equipamentos; " Revisão da pauta aduaneira no contexto da liberalização do comércio, com desagravamento de direito sobre bens e equipamentos e apetrechos cuja produção nacional não é competitiva; " Agilização, no âmbito da reforma administrativa, do sistema de constituição de empresas; " Atribuição de estatuto de residente e eliminação de procedimentos que dificultam a circulação dos investidores externos. O Governo terá que rever a sua política de incentivos no sentido de uma maior racionalização e orientação para sectores alvo bem como a adequação das medidas aos princípios da OMC. O Governo tomará medidas para tornar mais eficazes e racionais os programas de promoção de Cabo Verde no exterior com vista a reforçar os sectores prioritários do desenvolvimento. O Governo dará continuidade ao processo de privatização em curso, devendo conclui-lo durante o mandato. Serão objecto de uma atenção especial os dossiers mais complexos e sensíveis, nomeadamente a ENAPOR, a CABAVE os TACV e a EMPROFAC. Entretanto, será prosseguida a modernização das empresas públicas, de forma a prestarem melhores serviços à economia e reforçarem a sua competitividade. Por outro lado, a privatização deverá contribuir para a dinamização da Bolsa de Valores de Cabo Verde. Neste sentido, as acções destinadas aos trabalhadores das empresas a privatizar e aos pequenos accionistas (incluíndo emigrantes e público em geral) serão colocadas em Bolsa, à semelhança do que se fez, recentemente e com sucesso na oferta pública de venda da Sociedade Caboverdeana de Tabacos. Também as participações residuais do Estado em empresas como a ENACOL ou a INPHARMA serão colocadas em Bolsa, sempre que não haja direitos de preferência dos actuais accionistas ou o exercício desses mesmos direitos. 1.11. Reforçar a Regulação Económica. O Governo reforçará a capacidade nacional de regulação, seja a nível da consolidação do enquadramento legal desta actividade (já foram dados alguns passos importantes, nomeadamente com a transformação de institutos públicos com competências de regulação em agências de regulação, ao abrigo do Regime Jurídico Geral das Agências Reguladoras), seja a nível da regulamentação dos vários sectores económicos regulados. Com vista a consolidação, eficiência e eficácia da regulação económica, o Governo accionará as seguintes medidas: " Formação de quadros técnicos altamente qualificados, " Criação de um sistema de avaliação do impacto da actividade reguladora na economia, " Desenvolvimento de actividades de informação/comunicação, dirigida aos operadores económicos, ao aparelho do Estado, à classe jornalista e à sociedade em geral, tendo por objectivo a divulgação dos fundamentos e mecanismos da regulação. " Para o reforço da capacidade nacional de regulação deverão ser feitas provisões com base nas receitas previsíveis das privatizações, que se situam ainda em algumas dezenas de milhões de dólares em 2006-2007, mediante adenda à Lei-Quadro das Privatizações. " Atenção especial à conclusão da regulamentação técnica dos sub-sectores dos combustíveis, electricidade e água, no reforço/capacitação da administração central do Estado nos domínios de planeamento estratégico, fiscalização e monitorização efectiva do sector, na consolidação do processo de implementação da Agencia de Regulação Económica, no fomento do surgimento de um Centro de Transferência de Tecnologias que constitua um serviço de carácter operacional do Estado no domínio de pesquisa, testes de aplicabilidade, de adequação e adaptação de novas tecnologias energéticas à realidade do País. 1.12. Um ambiente macroeconómico ao serviço da economia 1.12.1. Consolidar a estabilidade Durante
o mandato que ora termina a evolução macroeconómica
caracteriza-se por um crescimento sustentado do PIB a uma taxa média
anual de 5,6%. As últimas projecções disponíveis
para 2005 confirmam um cenário positivo, prevendo-se uma taxa
de crescimento em torno de 7,0% do PIB, acima do limite superior de
6,5% previsto no Orçamento do Estado para 2005. As reservas
cambiais que em 2000 atingiam apenas 1 mês de importações
de bens e serviços, ascenderam a 2,6 meses em 2004, com base
numa trajectória contínua de crescimento. No final do
mandato, as reservas externas ultrapassaram 3,5 meses de importações.
Isto significa que as reservas externas foram multiplicadas por cerca
de seis vezes no espaço de cinco anos. Nesta legislatura construiremos novas âncoras de sustentabilidade, de mobilidade social e de melhoria das condições de vida para todos, apoiados nos pilares sólidos da estabilidade, da capacitação das pessoas, do investimento e do crescimento económico com sustentabilidade. Na esfera económico-financeira, o objectivo central da estratégia de desenvolvimento será a aceleração do crescimento económico combinada com a estabilidade macroeconómica e a sustentabilidade financeira. Nesta legislatura será melhorada a consistência das políticas macroeconómicas e microeconómicas, contribuindo assim para o aumento sensível da taxa de crescimento potencial do produto interno bruto. Estas políticas, conjugadas com o indispensável maior dinamismo do sector privado, deverão traduzir-se ao longo da legislatura, numa aceleração significativa da taxa de crescimento e numa redução substancial da taxa de desemprego. Mas esta superação qualitativa e estrutural da economia do país, com destaque para o crescimento e o emprego, não será possível sem um aumento dos níveis de exigência em termos globais, da capacidade empresarial, a adopção de novas atitudes em relação ao trabalho, ao conhecimento, à educação, à formação profissional e à cultura de um modo geral, de forma a atingir níveis de competência e de produtividade compatíveis com as expectativas mais elevadas decorrentes da transição para um país de desenvolvimento médio. Importa assim que Cabo Verde no seu todo, e não apenas o Governo, assuma a modernização, o crescimento económico acelerado e a redução substancial do desemprego como objectivos inadiáveis. O crescimento económico mais elevado, gerador de mais emprego, rendimentos e oportunidades para todos os cabo-verdianos, contribuirá para a redução significativa da pobreza e será combinado com a estabilidade macroeconómica, um requisito permanente da boa governação e do desenvolvimento sustentado do país. O sector financeiro, com base na sua modernização, no seu aprofundamento e no aumento da concorrência, deverá evoluir em consonância com a melhoria do perfil produtivo da economia e com o reforço do papel do sector privado. Neste contexto, que será caracterizado por uma envolvente global de maior confiança e credibilidade dos operadores económicos, o crédito à economia deverá conhecer também uma aceleração, crescendo em média anualmente a um ritmo de dois dígitos.. O nível das reservas cambiais, que deverá beneficiar dum maior contributo das exportações de bens e serviços e dos fluxos crescentes de capitais externos investidos em Cabo Verde, deverá evoluir em média em torno dos 4 meses de importações de bens e serviços, durante o próximo mandato. O défice orçamental global durante o período será compatível com uma trajectória de sustentabilidade da dívida pública, situando-se em média num valor consonante com a estabilidade macroeconómica e a dinâmica de crescimento da economia. 1.12.2 Uma gestão sã das Finanças Públicas. Com uma governação focalizada na modernização, na transparência, na eficiência e na eficácia, aprofundaremos a reforma em curso, prosseguiremos com a política de rigor na gestão das finanças públicas, mantendo o défice orçamental global e a dívida pública em níveis sustentáveis ao longo do ciclo económico. Asseguraremos um excedente corrente primário, dando assim continuidade à política de canalização dos empréstimos públicos para o investimento público e continuaremos com uma estratégia de endividamento público baseada num nível prudente da dívida pública face ao produto interno bruto e às possibilidades orçamentais do Estado e que garanta uma trajectória de sustentabilidade da dívida pública. O controle estrutural do défice público, funcionando como um objectivo orientador da política orçamental nesta legislatura, será assegurado com a conclusão de importantes reformas iniciadas na legislatura anterior. Prosseguiremos uma política financeira que deverá traduzir-se na melhoria da notação do país em termos de dívida pública, na redução do risco país e beneficiando da credibilidade acrescida do país, aumentaremos o peso das parcerias público-privado na estrutura do financiamento dos investimentos. A persistência nesta legislatura com a política da consolidação orçamental contribuirá também para o reforço da credibilidade e da confiança alcançadas no quinquénio transacto. Nesta conformidade, destaca-se em termos legislativos, a adopção de uma nova lei de enquadramento orçamental focalizada na abordagem orçamento programa, da nova lei de bases de planeamento, centrada numa gestão por resultados e que introduz o quadro de despesas a médio prazo, a aprovação do código aduaneiro, enquanto corpo jurídico único e texto normativo o mais exaustivo possível a nível do direito aduaneiro e o código de mercados públicos que visa a implementação de um quadro jurídico único, claro e transparente para todas as aquisições do Estado. 1.12.3. Qualidade e eficiência da Despesa Pública Com o suporte da nova geração de instrumentos de gestão das finanças públicas, elaborados no quadro da reforma em curso, enquadrada pela Avaliação da Gestão das Finanças Públicas (CFAA) e pela Avaliação da Gestão dos Mercados Públicos (CPAR) - abordagem orçamento programa, plano nacional de contabilidade pública digráfica, nova lei de enquadramento orçamental, nova lei de bases do planeamento, quadros de despesas a médio prazo global e sectoriais, consolidação do sistema integrado de gestão orçamental e financeira (SIGOF), introdução da figura do controlador financeiro e melhoria do sistema de seguimento e avaliação - aumentaremos a qualidade da despesa pública, a eficiência, a eficácia e o "value for money", reforçaremos o peso dos investimentos públicos na despesa pública total, garantiremos uma trajectória ascendente e sustentada dos investimentos públicos, com base numa programação plurianual e na melhoria da previsibilidade do financiamento. A estratégia de consolidação orçamental para a legislatura norteia-se pelo princípio de que a preservação de défices públicos compatíveis com a estabilidade macroeconómica não será feita à custa do investimento público. O Governo nesta legislatura dará assim continuidade à política de identificação e implementação de projectos de investimento público que melhorem a competitividade da economia de Cabo Verde e contribuam para o aumento da capacidade competitiva das empresas nacionais. Prosseguirá em parceria com o sector privado e com uma importante participação de financiamento privado, com o programa de investimentos estruturantes nos domínios estratégicos de desenvolvimento do país. As áreas da educação, da saúde e das infra-estruturas continuarão a merecer uma grande prioridade no quadro da estratégia de redução da pobreza; no próximo mandato, beneficiando das vantagens de uma política macroeconómica bem sucedida, certamente iremos potenciar os avanços alcançados na consolidação de pilares essenciais à sustentabilidade do nosso desenvolvimento. O passado recente da economia do país demonstra por um lado, que sem uma adequada gestão das finanças públicas não é possível um crescimento económico sustentável e por outro, que o investimento público funciona como uma alavanca importante para o crescimento da economia de Cabo Verde. 1.12.4- Uma Política Fiscal favorável ao ambiente de negócios. Nesta legislatura a política fiscal do Governo continuará norteada pela preservação de finanças públicas saudáveis, que possibilitem o financiamento de investimentos públicos essenciais ao desenvolvimento de Cabo Verde e a provisão de bens públicos indispensáveis à redução da pobreza e à melhoria do bem-estar. Aprofundaremos a reforma fiscal em curso visando a criação de um regime fiscal favorável aos rendimentos do trabalho e a uma envolvente de negócios competitiva. Haverá uma diminuição da carga tributária das famílias, nos diferentes escalões, que serão actualizados em função da inflação. Prosseguiremos com a política de redução progressiva do Imposto Único sobre o Rendimento pessoas colectivas (IUR-PC) e simplificaremos o regime fiscal, conferindo-lhe maior equidade, transparência e eficiência, com realce para os benefícios e isenções fiscais. A Direcção Geral das Contribuições e Impostos deverá conhecer nesta legislatura uma melhoria significativa do seu desempenho, suportada sobretudo na capacitação dos seus recursos humanos e no reforço da componente institucional pela via nomeadamente da revisão do Código Geral Tributário, do Código do Processo Tributário, do Código do Imposto de Selo, da criação do Estatuto dos Benefícios Fiscais e do Regulamento da Inspecção Tributária. Do lado da receita corrente, a principal contribuição será da receita fiscal, fundamentalmente pela via do aumento do desempenho da administração fiscal e do combate à evasão e fraude fiscais. O reforço da capacidade de mobilização interna de recursos públicos, crucial nesta fase de transição, deverá traduzir-se num ritmo de crescimento das receitas correntes acima do das despesas correntes, promovendo por esta via o controle estrutural do défice público. 1.12.5. Uma Política Monetária e Financeira pela estabilidade da moeda. Prosseguiremos uma estratégia, nomeadamente em sede de política orçamental e no plano institucional, que contribuirá para a consolidação das condições favoráveis à realização pelo Banco de Cabo Verde de uma política monetária e financeira de salvaguarda da estabilidade monetária e financeira do país, da credibilidade interna e externa do sistema monetário e financeiro, reflectidas, "inter alia", num crescimento moderado dos preços, que não deverá ultrapassar os 3%, num nível de reservas cambiais em média em torno dos 4 meses de importações de bens e serviços, numa estrutura de taxas de juro nominais abaixo dos dois dígitos e na ausência de atrasados externos e internos.
A consolidação do Acordo de Cooperação Cambial na legislatura anterior traduziu-se numa credibilidade reforçada do escudo cabo-verdiano e na melhoria substancial das relações económicas e financeiras dos operadores nacionais com os seus parceiros de negócio no exterior, nomeadamente da União Europeia. No quadro do aprofundamento das relações económicas com a União Europeia, beneficiando do contexto macroeconómico favorável existente no país e da maior confiança entre os operadores, serão adoptadas medidas com vista ao aprofundamento do Acordo de Cooperação Cambial. 1.12.6. Uma Política de Rendimentos pela salvaguarda do poder de compra. No âmbito da política de rendimentos a salvaguarda do poder de compra dos trabalhadores será realizada num quadro de crescimento salarial compatível com a estabilidade de preços e com o crescimento da produtividade, evitando assim impactes negativos sobre a competitividade da economia. Importa pois assegurar a compatibilização do poder de compra dos trabalhadores, da criação de emprego e a redução do desemprego com o aumento da produtividade do trabalho numa envolvente crescentemente competitiva no contexto da internacionalização, da captação do investimento empresarial privado e da promoção das exportações. Neste quadro a política de rendimentos será conjugada com medidas visando o aumento da flexibilidade do mercado de trabalho, uma maior empregabilidade, a modernização da legislação laboral e uma concertação social comprometida com o crescimento e o desenvolvimento sustentável de Cabo Verde. 1.13. Desenvolver a competitividade do Turismo. O Governo continuará a considerar o Turismo como o motor principal da economia. Serão identificadas e implementadas politicas acertadas que respondam com melhor eficácia aos problemas e dêem resposta aos novos desafios impostos pela modificação na situação do mercado para, entre outras: " O aumenta significativo da competitividade internacional do turismo cabo-verdiano; " A promoção do desenvolvimento de empreendimentos turísticos integrados e de superior qualidade. 1.13.1 Melhorar a qualidade da oferta de alojamentos. Até
2002 o investimento no turismo caracterizou-se pela construção
de instalações tipo resorts, operando na modalidade
"all included" e auto-suficiente em infra-estruturas básicas.
1.13.2
Diversificar os Produtos 1.13.3
Promover o investimento privado no turismo 1.13.4.
Melhorar a eficiência da promoção turística 1.13.5.
Resolver o problema dos resíduos sólidos 1.13.6.
Promover ganhos de produtividade e melhoria da qualidade do serviço 1.13.7.
Desenvolver infra-estruturas de apoio ao turismo 1.14. Comércio 1.15. Energia
e água 1.16. Utilização
Racional de Energia 1.17. Dessalinização
de água do mar e regeneração de águas
usadas 1.18. Promoção Industrial O paradigma de desenvolvimento industrial deverá sofrer alterações para ter em conta o novo contexto mundial ditado pela globalização. O Governo procederá à revisão da política industrial no âmbito da discussão e aprovação do novo Estatuto Industrial. A produção industrial para o mercado internacional particularmente nos segmentos intensivo em mão de obra de baixo custo, como confecções e calçados tornou-se mais problemática com a liberalização introduzida recentemente pela OMC que facilitou o acesso de países altamente competitivos aos grandes mercados consumidores. Esta situação interpela uma nova política industrial. Por outro lado, o incremento do turismo e dos serviços poderá ter um efeito induzido significativo em certo tipo de produção industrial, nomeadamente, a construção civil, bens alimentares e bebidas. Assim o Governo procederá à revisão da política industrial no âmbito da discussão e aprovação do novo Estatuto Industrial. No quadro desta revisão será dada atenção especial ao novo contexto de competitividade internacional criada pela liberalização do comércio, à importância estratégia para a economia de um produção industrial virada para exportação, e ao tipo de produção industrial e seu aumento induzido pelo incremento do turismo e dos serviços. 1.19. Promover os Transportes e Comunicações: elementos vitais de competitividade As bases de especialização da economia cabo-verdiana em matéria de prestação de serviços internacionais de excelência estão lançadas. Os transportes constituem um elemento vital de sucesso dessa estratégia. O Governo prosseguirá e consolidará a dinâmica de infraestruturação e de modernização da Legislatura anterior. 1.19.1 Transportes aéreos e serviços aeroportuários O sector dos transportes aéreos e serviços aeroportuários sofreu grandes e profundas transformações. Estão criadas as condições fundamentais que nos permitem projectar com sucesso a criação de um hub regional. No horizonte de um ano e meio estarão em funcionamento quatro aeroportos internacionais. Isto vem abrir perspectivas sem precedentes para a internacionalização da economia cabo-verdiana, com destaque para o desenvolvimento do turismo e o seu alargamento a todo o país. No domínio da aviação civil as seguintes acções irão constituir o essencial das medidas com impacto importante na consolidação das conquistas do passado recente: a) Reforço
da estruturação da AAC para assegurar o exercício
pleno do seu papel de órgão regulador e de supervisão
da actividade aeronáutica nacional; Com a conclusão, no primeiro ano deste novo mandato, das obras de extensão dos aeroportos de S. Pedro e da Boavista, estarão criadas as condições mínimas para o início de operações internacionais nesses aeroportos, aspecto de grande importância especialmente para o desenvolvimento do turismo nessas ilhas. As diligências no sentido da obtenção de financiamento para o estudo de viabilidade técnica e financeira de construção de um aeroporto em Santo Antão e sua execução ainda no âmbito deste mandato serão reforçadas. 1.19.2
Transportes marítimos Grandes obras de infra-estruturas portuárias vão ser concretizadas, a saber: "
O projecto de transformação do Porto Grande de S. Vicente
para servir de hub de transportes marítimos avança. No que respeita os transportes marítimos as acções a desenvolver, visam: "
Reestruturar e reforçar o ensino náutico, a todos os
níveis, articulando essa formação com a efectuada
para a pesca; Como medidas de acompanhamento destacam-se: "
Modernização do sistema portuário nacional, designadamente
com a introdução de sistemas que visem a desburocratização
do despacho dos navios Tendo em atenção os enormes ganhos em termos de eficiência, celeridade e mobilidade de pessoas e mercadorias que a introdução gradual do transporte horizontal vem representando no sistema de transportes inter-ilhas, sobejamente patente no percurso Mindelo-Porto Novo, o Governo dará uma atenção muito especial ao reforço da intermodalidade dos transportes em Cabo Verde. Para isso, procurará exercer uma influência positiva junto dos armadores nacionais no sentido de claramente optarem pela aquisição de navios do tipo roll on-roll off adaptados ao tipo e volume de tráfego existente, ao mesmo tempo que criará as condições em todos os portos, designadamente com a construção de rampas, para que aquele tipo de operação seja possível em todo o território nacional. A rápida ligação entre os nós aeroporto-porto em todas as ilhas constitui, por sua vez, um objectivo a ter presente na definição de novos projectos, bem patente aliás no formato encontrado com a integração dos projectos de Circular da Praia/Aeroporto da Praia e Expansão e modernização do Porto da Praia. 1.19.3.
Sector rodoviário "
Conservação do património rodoviário existente,
através de obras de reabilitação e da implementação
da gestão e manutenção de estradas por níveis
de serviço; Serão concluídas todas as obras estruturantes iniciadas ou adjudicadas nas ilhas de Santiago, Santo Antão, Maio, S. Nicolau e S. Vicente e, igualmente, serão criadas as condições necessárias para se dar continuidade ao programa de construção de estradas estruturantes em todas as ilhas, nomeadamente o anel do Fogo e a via rápida Praia-Tarrafal. 1.19.4.
Telecomunicações Destacam-se como objectivos: a) A implementação
da liberalização do sector nos termos da "Declaração
de Política de Telecomunicações" 1.20. Mar:
recurso estratégico, fonte de riqueza e de progresso para Cabo
Verde O domínio das questões marítimas e dos desafios ligados ao Mar é uma área em que se deve apostar com vista a promover os interesses e valores de Cabo Verde para além das suas próprias fronteiras, pelo que é fundamental que haja um conhecimento sólido das características do seu espaço marítimo, incluindo o subsolo marinho. Deste modo, é imperativo o desenvolvimento de actividades de investigação científica para, com base no conhecimento científico e tecnológico, se possa proteger e explorar aquilo que se conhece, de forma sustentável. Por outro
lado, Cabo Verde tem que caminhar para a plena capacidade do exercício
dos seus direitos em toda a extensão dos seus espaços
marítimos definidos sob sua soberania ou jurisdição
nacional, clarificando os poderes do Estado. A protecção ambiental marinha é outro desafio da maior importância já que constitui uma condicionante para o futuro dos oceanos, pelo que é indispensável que os aspectos ambientais da protecção integrem o conjunto das dimensões da vida marítima nomeadamente as actividades económicas e seus impactos. É com este entendimento que o Governo deverá desenvolver uma política de longo prazo que seja ambiciosa mas realista, inclusiva de todas as entidades públicas e privadas intervenientes no Mar, integradora dos objectivos e aspirações dos vários sectores, prudente no respeito à esfera de competências de cada entidade com os indispensáveis ajustes de uma actuação complementar e exequível numa base de pequenos mas seguros progressos. Nesse quadro, será levada a cabo a elaboração de estratégia nacional e um modelo de gestão, a serem desenvolvidos por uma instância dos assuntos do Mar. Essa estratégia, para além de propor objectivos, definirá prioridades e estabelecerá princípios de uma articulação equilibrada dos interesses em presença. No sector das pescas, foram ultrapassados os principais constrangimentos identificados em 2001, nomeadamente: o levantamento do embargo às exportações dos produtos da pesca e a abertura do mercado europeu de exportação aos operadores privados; implementação do sistema de controlo de qualidade dos produtos da pesca; foram criadas as possibilidades de actuação de embarcações de pesca nacionais com a assinatura de acordos de pesca e/ou protocolos de implementação, nomeadamente com o Senegal, a Mauritânia e a Guiné-bissau; revisão e actualização da legislação e a modernização das infra-estruturas; foi rubricado o protocolo do Acordo de pesca com a União Europeia para o período 2001-2006 e assinado um novo Acordo de parceria no domínio das pescas entre CV e a UE para o período 2006-2011, que entrará em vigor a 1 de Setembro de 2006; foi adoptado o Plano de Gestão dos Recursos das Pescas para o período 2004-2014, instrumento estratégico de gestão do sector que define um conjunto de medidas visando a exploração sustentada dos recursos haliêuticos. Para a presente legislatura o Governo pretende consolidar o desenvolvimento sustentado da produção haliêutica, com base nos seguintes eixos estratégicos: (i) a exploração racional e planificada dos recursos haliêuticas numa perspectiva de valorização e de integração marítima do país, (ii) o reforço das capacidades empresariais e da competitividade , tanto a nível artesanal como industrial, e (iii) o alargamento da base produtiva, visando a promoção dos nichos competitivos (aquacultura, turismo, etc.). Com a consolidação dessas estratégias o Governo prossegue os seguintes objectivos: "
A melhoria dos níveis de segurança alimentar A actuação
do Governo se desenvolverá em torno dos seguintes programas: " Promoção de novas técnicas, tecnologias de pesca e embarcações: Promover programas em parceria com o sector privado para o desenvolvimento de acções de introdução de novas técnicas e tecnologias de pesca; "
Reforço da fiscalização da ZEE, como forma de
prevenir e combater a pesca ilegal e garantir uma exploração
sustentada dos recursos, realizada pelos diferentes segmentos de frota
(nacional e estrangeira) que operam na vasta ZEE de Cabo Verde. "
Relançamento da pesca industrial - Promoção da
dinâmica empresarial, nomeadamente pela implementação
da empresa mista de pesca industrial, aliada à melhoria da
gestão das unidades existentes; ¢ Modernização e gestão integrada das infra-estruturas de pesca, com especial realce para a criação de uma capacidade de prestação de serviços às embarcações de pesca e à criação de condições para transformar Cabo Verde num centro regional de apoio à pesca industrial. Implementação de novos modelos de gestão através do estabelecimento de parcerias publico - privado. Trata-se de promover a modernização e a utilização integrada das infraestrutras de frio e dos meios de captura, valorizando a vertente MAR como um dos eixos principais da estratégia de desenvolvimento do país. ¢ Reestruturação institucional, criando as condições para a implementação do Plano de Gestão dos Recurso da Pesca e para o reforço da capacidade empreendedora e técnica do sector. A acção do Governo incluirá a reestruturação do INDP, com a integração do Instituto na rede da Universidade de Cabo Verde e a constituição das bases para o Centro de Investigação Oceanográfica; a adaptação do FDP para a função de promoção, em particular para as comunidades de pesca artesanal, associada à implementação de mecanismos adaptados de financiamento; o desenvolvimento da formação profissional e qualificação dos operadores; a implementação de pacotes de assessoria técnica, aconselhamento e assistência comercial, dirigidas ao sector público e aos operadores privados, na estruturação do negócio e respectiva gestão. CAPÍTULO 2. CAPACITAR PARA O DESENVOLVIMENTO O homem cabo-verdiano, portador de uma cultura própria e rica, é o principal capital de que o país dispõe para o seu desenvolvimento. A capacitação dos recursos humanos continuará a constituir uma aposta prioritária do Governo nesta Legislatura. Neste particular, investir numa juventude capacitada é a melhor garantia para enfrentar com sucesso os desafios do amanhã. O Governo
dará especial atenção ao desenvolvimento da cultura,
da educação, da saúde e do desporto. Políticas
particulares serão dirigidas aos jovens. Contudo, a capacitação
dos recursos humanos interpela todos os sectores e áreas de
actividade. 2.1.1. Recentrar a cultura na projecção de Cabo Verde A visão
do Governo é de que a cultura é o elemento identitário,
construtor da unidade e da coesão nacionais, é factor
da inovação tecnológica e da sustentabilidade
da Nação, tanto no aspecto social como no económico,
pelo que, para os próximos tempos, a mesma assenta em dois
pilares: 2.1.2. Qualificar a produção cultural É
com base nos pressupostos acima referidos que o Programa do Governo,
na área da cultura, para esta VII Legislatura, vai dar especial
atenção a acções de afirmação,
preservação, promoção da criatividade,
divulgação, projecção e dinamização
da nossa cultura, quais sejam os seguintes domínios de intervenção: Consolidação
da Leitura Pública: A leitura pública exige o estatuto
de alfabetizado, o gosto pela leitura, a existência de livrarias
e de bibliotecas públicas ou privadas. 2.2. Educação para o desenvolvimento: um desígnio nacional Ao longo
dos trinta anos de país independente, particularmente nos últimos
cinco anos de governação de Cabo Verde, importantes
medidas de política educativa, expressas em acções
concretas traduzidas em ganhos substanciais para o funcionamento do
Sistema Educativo e, consequentemente, para a melhoria da qualidade
do ensino e da formação por ele ministrados, foram estrategicamente
implementadas com reconhecido sucesso. 2.2.1.
Modernizar para mais qualidade e equidade Sem nunca
substituir ou limitar a intervenção do Estado como promotor
da educação, o Governo considera imprescindível
o papel de outros parceiros, nomeadamente as igrejas, as ONGs e as
OSCs. Para se viabilizar a modernização do sistema, ancorado nos princípios acima definidos, torna-se necessário desenvolver estudos, avaliar opções programáticas e desenvolver cenários alternativos que permitam o lançamento das bases de um Programa de Desenvolvimento de Recursos Humanos, na vigência desta legislatura. No processo de modernização do sistema, o Governo deverá, através do diálogo permanente com a sociedade e os diferentes actores sociais, evitar a armadilha das soluções burocráticas e tecnocráticas. 2.2.2.
Maior eficiência e eficácia na prestação
dos serviços de educação O grande desafio que se coloca a nível da gestão da educação para os próximos cinco anos, é o de melhorar a qualidade dos serviços prestados. A qualidade que se almeja, pressupõe mudanças na forma e filosofia de prestação de serviços e no relacionamento com o cidadão a nível dos serviços centrais e delegações do MEES e ainda nas escolas e serviços especializados. O bom desempenho do sistema deverá ser aferido em função da qualidade de serviço prestado ao público e aos clientes do sistema. Para isso, a descentralização e o aprofundamento da autonomia das escolas constituem ainda desafios incontornáveis. Tais medidas deverão ser precedidas e/ou acompanhadas de transferência de recursos humanos, materiais e financeiros. O desenvolvimento institucional, o reforço dos serviços do Ministério e das Câmaras, delegações, direcções de estabelecimentos de ensino e coordenações pedagógicas merecerão uma atenção especial. Por outro lado, será necessário aprimorar os mecanismos de supervisão e de avaliação indispensáveis à pilotagem do sistema. Adoptar-se-á um modelo de gestão compartilhada através do diálogo permanente com as direcções das escolas, organizações representativas dos professores e do pessoal da educação, pais e encarregados de educação e estudantes. A descentralização responsável exigirá o aprofundamento do diálogo e da concertação com os Municípios e com a Associação Nacional dos Municípios de Cabo Verde para se preparar a transferência gradativa da gestão de uma parte do sistema para as Câmaras. 2.2.3. Educação pré-escolar: qualidade e parceria Apesar dos avanços conseguidos nos últimos cinco anos e de um crescente reconhecimento da sua importância social, o subsistema continua ainda padecendo da falta de uma visão holística da criança e, portanto de uma abordagem integrada da pequena infância, constituindo este facto um forte constrangimento à eficácia das acções desenvolvidas, a um maior envolvimento dos diferentes parceiros e a um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis. Consciente desta realidade e do facto de que o sistema nacional de educação só será eficiente se tiver em consideração uma visão estratégica, sistémica e global, com medidas abrangentes, nomeadamente relativas ao enquadramento global de pequena infância, o Governo promoverá a definição de uma política de enquadramento e apoio à pequena infância, com alargamento do apoio social às famílias mais desfavorecidas. Destinada
a crianças entre 4/6 anos, a frequência à educação
pré-escolar não é obrigatória e os custos
são suportados pelas famílias, pelo Estado, pelo Poder
Local e diversas outras entidades não-governamentais. Mais
de 65% das crianças frequentam este subsistema. Apesar dos
ganhos conseguidos nos últimos cinco anos, com o alargamento
e melhoria da rede de cobertura e da capacitação dos
agentes educativos, prevalecem, ainda, neste subsistema assimetrias
no atendimento e na qualidade das ofertas, abrangendo sobretudo as
zonas socialmente mais desfavorecidas. " O Governo privilegiará o desenvolvimento de uma politica integrada da criança pelo que desenvolverá medidas de coordenação das acções ao nível institucional e político e implementará programas transversais que fomentem um clima de cooperação e participação de todos os actores no processo educativo - a família, a comunidade e a criança como centro de todo o processo. " O Governo dará continuidade na melhoria e consolidação dos ganhos já alcançados e implementará novas medidas, visando criar as condições para a generalização da educação pré-escolar, ao mesmo tempo que dará continuidade às acções visando progressivamente capacitar o pessoal de enquadramento docente e tornar a rede física mais equitativa. "
O Governo continuará a desenvolver a sua política de
formação de monitores e demais agentes educativos e
assegurará a orientação e o apoio pedagógico. A qualidade do ensino ministrado neste nível continuará a ser o objectivo primeiro, destacando, entre outras, as seguintes medidas: (i) Avaliação
da qualidade do subsistema de ensino básico, no sentido da
sua optimização a fim de se tomarem medidas de melhoria;
2.2.5.
Ensino Secundário: na senda da eficácia e da sustentabilidade Considera-se que neste nível de ensino se deve privilegiar a aquisição de técnicas de aprendizagem (aprender a aprender) aliada a uma sólida base em línguas, nas tecnologias e nas ciências, tendo em vista uma educação geral de qualidade e com um padrão curricular comum. Assim, para a presente Legislatura o Governo se propõe no seu programa: 1) Continuar
a desenvolver e aperfeiçoar o Ensino Secundário Geral
e Técnico em articulação com a Formação
Profissional. Os programas de formação complementar
profissionalizante serão implementados em estreita articulação
com o sistema de formação profissional e em parceria
com o mundo empresarial; Uma outra preocupação do programa do Governo para o sector assenta na consolidação dos ganhos e valorização científica e profissional da carreira docente, o que passará, de entre outras medidas previstas, pela renovação das instituições e dos sistemas de formação, de acompanhamento, de actualização e de avaliação da formação de docentes. Prevê-se, igualmente, o relançamento de dispositivos de orientação escolar e profissional para apoiarem os estudantes com informações claras que facilitem as escolhas e opções de formação (secundário geral ou técnico e superior). Os indícios de insegurança material, física e pessoal (professores, alunos) na proximidade e no interior de certos estabelecimentos de ensino secundário deverão constituir objecto de medidas correctivas de fundo e de despistagem. 2.2.6.
Ensino Superior: reforço da massa crítica para o desenvolvimento
e sustentabilidade Esta forte vitalidade, fruto do sucesso das políticas públicas em matéria de educação básica e secundária levadas a cabo nos últimos 30 anos, vem ultrapassando, no entanto, a capacidade do Estado em enquadrá-la, jurídica e institucionalmente, a ponto de se poder declarar que existe um défice de enquadramento estratégico, jurídico e institucional dessa nova realidade do ensino superior. A problemática do acesso ao ensino superior é outra vertente que deverá ser objecto de um diálogo aberto com a sociedade de modo a se obter a clarificação dos papéis, as responsabilidades da família, da sociedade e do Estado no financiamento, e os consensos mínimos a volta das condições e critérios de acesso. Tendo em conta a opção política de Cabo Verde por um ensino de qualidade e o entendimento do ensino superior como instrumento de desenvolvimento duradouro do país e motor de sua inserção competitiva no mercado mundial, propõe-se as seguintes medidas de desenvolvimento deste subsistema para os próximos cinco anos: 1) Instalação efectiva da universidade pública. 2) Promoção de um ensino superior de qualidade, através de mecanismos jurídicos e institucionais apropriados, que se enquadre no projecto global de desenvolvimento do país e realize as legítimas expectativas dos estudantes, empresários, poderes locais, organismos não governamentais e da sociedade em geral; 3) Reforço das estruturas com atribuições no domínio do ensino superior; 4) Elaboração, aprovação e implementação de normas reguladoras do funcionamento e financiamento do Ensino Superior, nomeadamente, os Estatutos do Ensino Superior Público, Privado e Cooperativo, a regulamentação e funcionamento da Comissão Nacional de Equivalências, e ainda medidas que se prendem com a sustentabilidade financeira do sistema de bolsas de estudo 5) Credenciamento de instituições e cursos do ensino superior segundo um conjunto de critérios e parâmetros básicos, estabelecidos por lei, de modo a assegurar a qualidade e a actuação dos mesmos. Esses critérios e parâmetros são aplicáveis, indistintamente, a todas as instituições de ensino superior e cursos, independentemente da sua natureza jurídica e estatutária, sejam eles públicos, privados, cooperativos e confessionais. 6) Estabelecimento, em diálogo com a comunidade técnica e científica, de padrões e critérios de aferição da qualidade, tendo em conta os fins a atingir. Tais padrões poderão trazer a vantagem de reduzir a subjectividade nos processos da avaliação, bem como nos de credenciamento e cessação de credenciamento de instituições e cursos. 7) Redefinição e reforço da politica sócio-educativa e de financiamento da formação superior, tendo em conta a nova realidade do ensino superior; 8) Institucionalização da avaliação, tanto na vertente interna como externa, como um procedimento normal de gestão deste subsistema de ensino. 9) Criação e instalação de um órgão regulador da qualidade do ensino, habilitado para realizar e promover, de forma periódica, a avaliação do desempenho institucional das instituições. 10) Promoção da investigação e da divulgação dos seus resultados. 11) Desenvolvimento e estímulo da prática do ensino a distância 12) Implementação de medidas de acompanhamento social e académico dos estudantes no país e no exterior. Para além disso, o Governo vai continuar a desenvolver esforços tendentes a criação das condições infraestruturais convencionais e apostar fortemente nas novas tecnologias de informação e comunicação para a edificação de um sistema de ensino superior com enfoque na formação à distância como meio de redução de assimetrias. No que diz respeito ao ensino superior no estrangeiro, o Governo propõe-se continuar a analisar os resultados académicos e a qualidade de vida dos estudantes no exterior, a par da forma como os seus estudos são organizados e financiados, a fim de se definirem e negociarem novos acordos com universidades de acolhimento e optimizar as relações custo/eficácia. 2.2.7.
Educação de Adultos: Promoção do Desenvolvimento
Pessoal e Social 2.2.8.
Ciência e Tecnologia ao serviço do desenvolvimento Com a entrada em efectividade da universidade pública, espinha dorsal de um sistema coerente de produção e divulgação do saber científico e tecnológico, estarão, em certa medida, reunidas as condições para esse novo impulso, eficaz para a sociedade e para o sector produtivo. A vertente ciência e tecnologia, até agora pouco alimentada e explorada no nosso sistema de ensino, deverá ser preferencialmente preparada ao longo deste Programa e dos que se lhe seguirem, para um serviço mais útil, dinâmico e de qualidade às políticas educativa e económica do Governo e fazer a ponte a uma efectiva articulação entre as instituições de ensino superior, as empresas e o mundo do trabalho. Ela deverá, através do conhecimento e da inovação, ser um meio de resposta aos problemas estruturais que afectam o desenvolvimento científico, tecnológico e económico do país, como uma falange de apoio da universidade pública, que se quer em funcionamento proximamente. Deve actuar também transversalmente sobre domínios de intervenção, essenciais a uma estratégia de crescimento sustentado, sem esquecer, no entanto, que incentivos à educação e à inovação poderão promover o desenvolvimento, mas têm que ser complementadas por medidas de política avaliáveis. Para isso, o Governo, em parceria com o sector privado e a comunidade científica internacional, deve investir na criação e promoção de uma elite técnica e científica nacional, selectivamente escolhida, conforme as prioridades de desenvolvimento do país e de entre as nossas melhores capacidades. A sua preparação deverá ocorrer em centros de formação de renome, tendo em vista (i) a constituição paulatina, mas cuidada, de centros de referência nacionais em áreas com alguma projecção regional, (ii) a transferência de conhecimentos e de tecnologias (iii) a garantia de crédito e de alguma dimensão internacional às nossas instituições e empresas. Em ordem à obtenção de resultados palpáveis de uma tal política o Governo terá de centrar a sua acção, prioritariamente, em: a) Formular
uma política nacional de Ciência e Tecnologia consentânea
com os recursos humanos e materiais que puder disponibilizar. 2.3. Formação
Profissional e Emprego O Governo da VII Legislatura continuará a eleger a formação e a qualificação profissional como grandes prioridades nacionais, numa perspectiva de valorização dos recursos humanos e como instrumento privilegiado de desenvolvimento socioeconómico, dentro do novo contexto da economia mundial globalizada. Assim,
a Formação Profissional, será encarada de forma
sistémica e como factor de desenvolvimento e valorização
do capital humano, e instrumento crucial para o desenvolvimento socioeconómico
do país em geral, devendo, por conseguinte, proporcionar ao
mercado nacional as competências e qualificações
coerentes com as estratégias de crescimento e competitividade,
definidas. Neste
quadro o Governo empenhar-se-á, na criação das
condições institucionais, humanas e financeiras necessárias
à estruturação do sistema nacional de formação,
através da implementação do Plano Estratégico
de Formação Profissional para o período 2006/2010. O Governo
desenvolverá parcerias com as empresas e outras entidades privadas,
através de medidas específicas de fomento e de estímulo
à participação de todos os actores, tendo em
vista o desenvolvimento da oferta, em todo o país. O Governo,
propõe-se, ainda, no domínio das políticas específicas
de Emprego a: 2.4. Mais e melhor Saúde para todos No quadro do desenvolvimento do País, o sector da saúde é chamado cada vez mais a garantir à população o melhor nível possível de bem-estar físico, mental e social, assegurando a protecção e a promoção da saúde, por um lado e a prevenção, o tratamento e a reabilitação da doença, por outro. Ao longo dos últimos anos Cabo Verde atingiu um nível apreciável na prestação de cuidados para responder às necessidades básicas em matéria de saúde das suas populações, sendo contudo necessário estar-se atento às suas expectativas que nesta matéria são progressivamente mais elevadas e de maior exigência. A satisfação das crescentes necessidades, obriga o Estado e a sociedade a investirem cada vez mais neste sector, quer em termos de recursos humanos, financeiros e materiais, quer ainda no que concerne à organização e à gestão. Se é
verdade que os elevados custos inerentes à progressiva melhoria
dos cuidados de saúde requerem do Estado e dos operadores privados
maior afectação de recursos, não é menos
verdade que a comparticipação dos indivíduos
e das famílias é fundamental e deverá constituir
uma das condições do sucesso da política em curso.
A sustentabilidade do sector da saúde terá de ser assumida
como um dever de todos. Essa política obedecerá aos princípios por que se rege o Serviço Nacional de Saúde, designadamente a Universalidade de acesso aos serviços em todos os níveis de assistência sanitária; a Solidariedade de todos na garantia do direito à saúde e na contribuição para o financiamento dos cuidados de saúde; a Defesa da equidade na distribuição dos recursos e na utilização dos serviços; a Salvaguarda da dignidade humana e a preservação da integridade física e moral dos utentes e prestadores; a Salvaguarda da ética e deontologia profissionais na prestação de serviços. Será ainda desencadeado um conjunto de acções nos seguintes eixos estratégicos: 2.4.1. Serviço Nacional de Saúde moderno e sustentável Para garantir o desiderato da modernização e sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde prevê-se: " Reforço da capacidade institucional mediante a afectação de quadros competentes e empenhados para os postos de decisão, nos diferentes domínios técnicos e de gestão, da pirâmide do Serviço Nacional de Saúde; " Identificação dos postos para o desempenho em regime de exclusividade no Serviço Nacional de Saúde; " Definição de cada nível do Serviço Nacional de Saúde, da sua operacionalidade, e a criação, aonde e quando possível e necessária, de Regiões sanitárias; " Aperfeiçoamento dos instrumentos jurídico-legais com vista ao desenvolvimento do sector privado da saúde para além do seu actual nível de desempenho, quase que exclusivamente circunscrito ao atendimento ambulatório, para se potenciar a desejável complementaridade efectiva com o sector público; " Participação efectiva dos utentes através de organizações representativas, na gestão das questões da saúde, com o funcionamento do Conselho Nacional da Saúde e dos Conselhos Municipais de Saúde; " Adequação da legislação farmacêutica e sua regulamentação, bem como a definição de uma política de aquisição, aprovisionamento e distribuição de medicamentos e acessórios; " Apoio técnico, material e financeiro ao Centro Nacional de Desenvolvimento Sanitário (CNDS) com vista ao cumprimento integral das funções de promoção da saúde, de informação e de formação; " Introdução de novas tecnologias na administração das instituições sanitárias e na gestão dos respectivos recursos incluindo a informatização dos serviços, a tele-medicina e outros instrumentos; " Implementação da reforma do Sistema de Informação Sanitária; " Contribuição para a expansão da cobertura das despesas com a saúde, como suporte da sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde. 2.4.2. Mais e melhores serviços de saúde Para elevar a qualidade dos cuidados prestados às populações e reduzir a necessidade do recurso às evacuações para o exterior, será implementado um conjunto de medidas com destaque para as seguintes: " Continuação da construção e equipamento de infra-estruturas sanitárias, designadamente do novo Hospital Regional de Santa Catarina e da Policlínica do Sal; dos Centros de Saúde de Calheta, Mosteiros, Tarrafal de Santiago, Maio e Boa Vista; dos novos Centros de Saúde da Praia e da Maternidade e Central de Consultas do Hospital Agostinho Neto; " Elaboração e implementação do Plano de infra-estruturas de São Vicente, incluindo a reabilitação e apetrechamento do Hospital Baptista de Sousa; a construção do Centro de Saúde de Monte Sossego e da Delegacia de Saúde; " Equacionamento da rede de infra-estruturas sanitárias dos novos Municípios; " Elaboração e implementação de uma política de manutenção específica do sector; " Criação dos serviços de hemodiálise e de oncologia; " Promoção de parcerias público-privadas para a construção e gestão de unidades prestadoras de serviços de saúde; " Reforço dos programas de saúde pública com tónica especial sobre a infecção VIH/SIDA e sobre a Saúde mental, incluindo intervenções contra o uso do tabaco e drogas ilícitas e contra o abuso do álcool; " Promoção e concretização da desejada complementaridade entre os Hospitais centrais em matéria de serviços especializados; " Melhoria da qualidade do atendimento dos utentes do Serviço Nacional de Saúde, universalidade da assistência sanitária com atenção particular para as zonas rurais e as periferias urbanas, e garantia do acesso de todas as populações a um pacote de cuidados essenciais de saúde, com a comparticipação equitativa nos respectivos custos. 2.4.3. Desenvolvimento dos recursos humanos Para assegurar patamares mais elevados na prestação de serviços de saúde à população, será reforçada a aposta na qualificação e gestão dos recursos humanos, privilegiando entre outras: " Formação progressiva de um contingente maior de especialistas nacionais em áreas prioritárias de saúde e de gestão; " Definição do quadro de pessoal e modalidades de colocação para cada tipo de estrutura; " Revisão das carreiras existentes dos profissionais de saúde e o estudo das possibilidades de criação eventual de outras para as categorias específicas do Serviço Nacional de Saúde; " Desenvolvimento da capacidade endógena de formação e a melhoria dos mecanismos de gestão dos processos de pós-graduação; " Incentivo e promoção da investigação com vista ao desenvolvimento do espírito de rigor, fomento da curiosidade científica e da disciplina necessárias à evolução do sector; Para se atingir os resultados esperados serão envidados os esforços necessários de diálogo, de concertação e trabalho conjunto com os departamentos governamentais influentes nos factores determinantes da saúde, com as organizações representativas dos profissionais do sector, com as organizações da sociedade civil e com os parceiros internacionais do desenvolvimento de Cabo Verde. 2.5. Juventude no centro do desenvolvimento económico e social O Compromisso do Governo visa proporcionar aos jovens mais e melhores condições de participação na vida social, política, económica e cultura do país e, no sentido do aprofundamento e reforço das políticas de valorização do capital humano, presta uma atenção prioritária ao papel cada vez mais activo dos jovens nas oportunidades de desenvolvimento. 2.5.1. Apoiar o florescimento de iniciativas empresariais jovens Para o aumento e consolidação da competitividade da economia cabo-verdiana, é fundamental o rejuvenescimento da força de trabalho, ou melhor, o Governo vai apostar em medidas e acções que promovam a emergência de uma cultura empresarial e o florescimento de um tecido vivo de iniciativas empresariais jovens. Para tanto, com as instituições financeiras públicas, bem como do sector financeiro privado, serão concebidas e criadas linhas de crédito específicas e incentivos fiscais destinadas a fomentar e apoiar a instalação de micro, pequenas e médias empresas jovens que sejam competitivas, assegurando-se mecanismos e eficazes para a sua concessão e, a fundo perdido, a prestação da assistência indispensável à elaboração, implementação e gestão dos respectivos projectos de investimento. 2.5.2. Formação profissional e dignificação do trabalho A política de formação profissional deverá visar a rápida integração dos jovens no mundo do trabalho e na vida social activa, quer na perspectiva de criação da própria empresa, quer na satisfação da oferta de trabalho, pelo que se dará particular atenção à componente gestão de negócios. No desenvolvimento de medidas de políticas relativas à formação profissional por parte dos diferentes departamentos governamentais será acordada grande atenção aos jovens, de modo a que a sua qualificação e capacitação corresponda ao perfil de empregabilidade do mercado de trabalho. Com as instituições públicas e privadas serão desenvolvidas acções de formação em exercício, pelo que incentivos específicos serão criados, tanto para os jovens empregados como para as empresas em particular as da iniciativa dos jovens. As estruturas do departamento governamental da juventude vai aprofundar e reforçar as iniciativas de formação profissional, dando, também, atenção acrescida à cooperação com instituições de países amigos, nomeadamente Portugal. Será dinamizado o Programa de Inserção e Emprego Jovem e sua integração com os diferentes programas nacionais e de cooperação internacional. Ainda nesse âmbito, com as entidades patronais e respectivas associações representativas, serão desenvolvidas parcerias visando o recrutamento de jovens, mediante incentivos nomeadamente de natureza fiscal para as empresas empregadoras nacionais e estrangeiras. Ainda nesse quadro, visando o envolvimento adequado de empresas e pessoas singulares na formação, capacitação e sensibilização da juventude e respectivas associações, será adoptada com urgência a Lei do Mecenato Juvenil. 2.5.3. Apoio à emergência de empresas jovens Para fomentar a emergência de micro, pequenas e médias empresas nas zonas periféricas serão adoptados incentivos fiscais especiais que estimulem o jovem empresário a capacitar-se e fixar-se nas suas regiões de origem, o que nos seus efeitos multiplicadores gerará mais emprego directo e indirecto e tornará atractiva a actividade económica. As Câmaras Municipais serão convidadas a participar do esforço de elaboração e implementação de programas e projectos orientados para a emergência de empresas de produção de bens e serviços, em particular no sector do turismo. Será dado grande impulso ao Crédito Jovem Habitação e através de outros programas, no sentido de serem criadas condições favoráveis aos jovens para a aquisição de habitação própria, muito em particular na periferia. 2.5.4. Reforçar e aprofundar a participação dos jovens A participação e apropriação do processo do desenvolvimento por parte dos jovens vai merecer do Governo o maior empenho, como via privilegiada de assegurar patamares mais elevados de desenvolvimento económico e social. Daí a importância ainda maior que o Governo vai conferir ao Associativismo Juvenil como modelo de organização e espaço de desenvolvimento integral dos jovens, de aprendizagem de princípios e valores essenciais ao desenvolvimento de um espírito de sã convivência e de vivência democrática, constituindo um fórum de partilha de ideias e concretização das mesmas, na perspectiva de luta por uma democracia política, económica, social e cultural que vá de encontro à expectativa de todos os jovens cabo-verdianos. O Fundo de Apoio ao Associativismo Juvenil deverá ser implementado no mais curto espaço de tempo possível, pelo que, a breve trecho, o Governo assegurará os recursos indispensáveis à prossecução dos fins para que foi criado, isto é, a concessão de apoios e incentivos a associações e agrupamentos juvenis, de acordo com os critérios nele definidos. Entre outras
medidas e acções visando a participação
dos jovens, será prosseguida com mais vigor o alargamento Corpo
de Jovens Voluntários de Cabo Verde a todas as regiões
do país, ao mesmo tempo que a sua intervenção
de qualidade nas áreas produtiva, social e cultural. Do mesmo modo, será pá prosseguida com determinação a abertura e funcionamento das Pousadas de Juventude que virão desempenhar um papel importante no fomento da mobilidade e intercâmbio juvenil entre as diferentes ilhas e regiões do país, bem assim no fomento de iniciativas visando a criação do emprego jovem. A realização de Campos de Férias de carácter municipal será continuada com a preocupação de elevar cada vez mais a participação dos jovens, o intercâmbio e o debate de ideias. Implementação
do programa "Lazer e Desporto na Rua" com o objectivo de
ocupar o tempo livre dos jovens e alargar os espaços de encontro
e intercâmbio. O cartão - jovem, como instrumento privilegiado de mobilidade, intercâmbio juvenil e concessão de serviços especiais será promovido com maior intensidade no país e na diáspora. 2.5.5. Juventude e cultura Os jovens
estarão no centro das políticas e medidas de política
da acção governativa no domínio cultural, o que
implicará uma estreita coordenação e envolvimento
dos respectivos departamentos governamentais. 2.6. Desporto:
dinamizar e massificar a prática desportiva Com base
nesses pressupostos, com o firme propósito do Desporto ir de
a par e passo com o processo de transformação em curso,
serão levadas a cabo as seguintes acções: c) Formação
3.1. Mais justiça social e solidariedade Para a presente legislatura o Governo vai prosseguir com as políticas públicas de desenvolvimento, particularmente as políticas sociais activas, pelo que serão melhoradas e aprofundadas as políticas em curso e introduzidas inovações, com vista a, por um lado, fazer face aos muitos e complexos problemas sociais, que ainda subsistem na sociedade cabo-verdiana, afectando largas camadas da população, principalmente as em situação de maior vulnerabilidade, e, por outro, responder e ajustar aos desafios e às exigências do processo de desenvolvimento do país. Esta determinação do Governo tem como pressuposto básico, a ideia de que para que haja uma efectiva inclusão das pessoas mais afectadas pela pobreza, e que se encontram em situação de marginalização e ou risco de exclusão social, torna-se necessário o desenvolvimento de políticas sociais activas que permitirão respostas duráveis e sustentáveis no campo da empregabilidade, e também a integração dessas pessoas nas instâncias de participação da vida social e económica das suas comunidades de pertença e do país de um modo geral. É convicção também do Governo, que só uma forte aposta na coesão social produz efeitos consistentes na mudança das condições de vida dos muitos cidadãos cabo-verdianos que ainda não têm todos os seus direitos sociais e económicos garantidos, devido essencialmente à falta de recursos para satisfazer a todos os problemas e às necessidades básicas das populações, sobretudo as camadas mais pobres. Nesse sentido, continuam a constituir seus principais desafios: reduzir a pobreza e as desigualdades sociais, e promover a justiça e a coesão sociais, pelo que importa investir na criação de condições para a melhoria de vida dos cidadãos cabo-verdianos e garantir-lhes o direito de acesso aos principais serviços sociais básicos, designadamente, à educação, ao emprego, à formação profissional, à saúde, água e saneamento, protecção social, justiça e à habitação social. Assim e na sequência da anterior legislatura, reforça a sua intenção de continuar a desenvolver esforços na busca de solução para ultrapassar esses desafios, através da implementação de politicas macroeconómicas em estreita articulação com politicas publicas sectoriais. Nesta perspectiva, atenção particular será dada à(o): (i) Desenvolvimento
e reforço da estratégia de diversificação
das actividades económicas e alargamento da base produtiva,
como principais meios de redução da pobreza e do desemprego; No domínio das políticas públicas sociais, será dada prioridade à consolidação do processo de reforma do sistema da protecção social em curso, com relevância para o desenvolvimento do sistema da protecção social - regime não contributivo que deverá processar-se em articulação com as demais politicas públicas sectoriais. Assim, consciente das vulnerabilidades do país e das populações, particularmente de determinados grupos sociais, o governo compromete-se a envidar esforços no sentido da eliminação e/ou redução dos principais factores que contribuem para situações de pobreza e de exclusão social, tendo como principal objectivo, reverter o quadro de vulnerabilidade em que o país e muitos cidadãos cabo-verdianos ainda se encontram. Com base nestes pressupostos, o governo estabelece como objectivos globais os seguintes: 3.2. Redução substancial da pobreza Será dada continuidade à implementação e ao aprofundamento da estratégia de transformação económica, articulando as políticas macroeconómicas e sociais, com vista ao aumento da produtividade, a criação de riqueza e uma repartição mais justa dos recursos a todos os cidadãos cabo-verdianos. Para isso, e a fim de garantir a estabilidade macroeconómica, a disciplina fiscal e a credibilidade externa já alcançadas, a aposta continua a ser, em assegurar a atracção de investimentos estrangeiros para financiar os grandes investimentos já identificados, principalmente a infra-estruturação do país, o reforço do tecido empresarial e os projectos do sector social, entre outros, o que permitirá o aumento da competitividade do país, o crescimento substancial das exportações, proporcionando mais emprego, o que contribuirá para a redução da taxa do desemprego e da pobreza, e consequentemente para o bem-estar das populações. Também será privilegiado o incentivo às iniciativas no domínio da economia informal e da economia solidária, com vista a promoção do mutualismo como forma de garantir a auto- organização das comunidades em prol da assistência médica, medicamentosa e funerária, assistência nos estudos e formação profissional, assistência na perda de emprego ou rendimentos familiar, de entre outras, além do desenvolvimento de actividades geradoras de rendimento para as camadas mais desfavorecidas, em especial às do meio rural, das comunidades piscatórias e das mulheres chefe de família, experimentando e promovendo formas alternativas de protecção e co-responsabilização social. Nesse sentido medidas serão adoptadas em matéria de regulamentação e normatização do sector das micro-finanças, de atribuição de crédito e de criação de oportunidades de formação para o reforço da capacidade técnica e profissional nesses domínios. Para atingir esse objectivo, o governo releva de extrema importância o desenvolvimento de parcerias entre sectores, público, privado e a sociedade civil, o que irá permitir não apenas a resolução imediata dos problemas desses grupos em situação de vulnerabilidade, mas também e sobretudo a emergência de uma rede de pequenas e médias empresas de produção, e de prestação de bens e serviços. Isso, teria impacto a vários níveis, principalmente na mudança das condições de vida de largas camadas da população, e no desenvolvimento das comunidades e do país de um modo geral.
Tendo sido já definido no âmbito da política social do governo, um quadro institucional e estratégico no qual se inscrevem vários instrumentos de combate à pobreza, de que se destacam o Programa Nacional de Luta contra a Pobreza - PNLP e o Documento de Estratégia de Crescimento e de Redução da Pobreza - DECRP, devem ser concentrados esforços na articulação e coordenação dos vários planos e programas sectoriais em curso no país e que concorrem para o mesmo fim, e são dirigidos a indivíduos, grupos, famílias e comunidades mais carenciados. Nesse sentido, poderá permitir uma efectiva participação de todos os actores que intervêm no processo de combate a pobreza, na medida em que haverá uma melhor optimização de recursos e de sinergias, com impacto nos resultados pretendidos, ou seja, na mudança das condições de vida dos grupos mais atingidos pela pobreza e seu engajamento no processo de desenvolvimento do país. 3.3. Melhoria
das condições e das relações laborais Concretamente, propõe-se a melhoria do Sistema da Administração do Trabalho, através de, entre outros: (i) Aprovação
de um novo Código Laboral, de forma a se dispor de um instrumento
que permite regular a relação entre os vários
parceiros do mundo laboral e contribuir para a melhoria das condições
profissionais dos trabalhadores. A aplicação desse código
contribuirá também para a materialização
da Estratégia de Transformação de Cabo Verde,
a dinâmica e competitividade da economia e ainda, garantir a
indispensável flexibilidade entre as exigências do mundo
laboral e as necessidades e direitos dos trabalhadores; 3.4. Melhoria do sistema da Protecção Social O governo atribui grande importância à protecção social como uma componente de desenvolvimento, devendo as políticas neste domínio serem prosseguidas em estreita articulação com as demais politicas públicas sociais e com a estratégia económica do país. A orientação vai ainda no sentido da consolidação das reformas do sistema em curso, de modo a garantir o direito de acesso de todos os grupos sociais e profissionais à segurança social. Assim, e na sequência do processo desencadeado na legislatura anterior, vai ser dada continuidade à implementação de algumas medidas, tendo em conta a Lei de Bases da Protecção Social e o processo de reforma em curso, que preconiza uma reestruturação global, sendo de realçar alguns aspectos que serão privilegiados: (i) A criação
de condições para garantir a sustentabilidade técnica
e financeira do sistema; Tendo sido adoptados na legislatura anterior importantes instrumentos de planificação e gestão para essa área, tais como, a Estratégia de Desenvolvimento da Protecção Social, Carta Social, a Estratégia de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança, a Reforma Legal e Institucional em Matéria da Infância e Adolescência, torna-se necessário a implementação dos mesmos no sentido de viabilizar e consolidar o desenvolvimento do sistema da protecção social em Cabo Verde. É ainda preocupação do governo continuar a investir no desenvolvimento de equipamento e serviços sociais, de forma a responder às necessidades sociais em vários domínios, e destinados a diferentes grupos da população, fundamentalmente àqueles em situação de maior vulnerabilidade ou em situação de risco e exclusão social, designadamente, crianças e jovens, idosos, portadores de deficiência, repatriados, toxicodependentes bem como mulheres chefe de família em situação de pobreza. Essas preocupações fundamentam-se essencialmente na necessidade de se organizar respostas que contribuam para a integração e (re) inserção sociais desses grupos na sua comunidade e na sociedade cabo-verdiana de um modo geral. No que respeita especificamente a políticas de integração e inserção sociais, toda a intervenção vai ser orientada no sentido de procura de soluções para os problemas que afectam os indivíduos, grupos e famílias desfavorecidos, sobretudo os que se encontram em situação de risco, de modo a contribuir para a mudança das suas condições de vida e do seu bem-estar. Para a materialização desses objectivos, vai-se apostar no reforço da capacidade institucional dos sectores de intervenção, com particular atenção para os organismos públicos e as organizações e associações que actuam nessa área e que desenvolvem actividades com grupos e comunidades no combate à pobreza. Nessa óptica, e em articulação com outros parceiros, será dada continuidade ao desenvolvimento de programas que contribuem para a integração e inserção dos referidos grupos, entre outros, Programas de Apoio a: "
Órfãos e outras crianças vulneráveis; No quadro do reforço da capacidade institucional, serão criadas condições para tomada de decisões e implementação de medidas ajustadas aos problemas e necessidades inerentes às respectivas problemáticas, nomeadamente sobre: (i) a situação das famílias das crianças em risco; (ii) a situação dos deficientes em Cabo Verde (iii) conclusão da revisão do processo de descentralização dos ex-serviços da promoção social, que permitirá a instituição de um novo quadro de intervenção ao nível dos municípios; o (iv) estabelecimento de quadros normativos reguladores da intervenção no domínio da protecção social; (v) a divulgação da carta social de Cabo Verde e concepção de instrumentos de seguimento e actualização da mesma; (vi) as organizações cabo-verdianas no domínio da economia solidária. Também, e com o objectivo de prestar um serviço de melhor qualidade aos beneficiários do Regime não Contributivo, será implementado o Centro Nacional das Pensões Sociais que assegurará toda a gestão das pensões a nível nacional segundo uma filosofia moderna de gestão, permitindo ultrapassar os muitos problemas existentes nesse domínio. 3.5. Melhoria da intervenção no domínio da menoridade Em matéria de intervenção no domínio da menoridade, é objectivo do governo o desenvolvimento de um sistema de protecção dos direitos da criança, sendo que as grandes linhas orientadoras de intervenção vão no sentido de consolidar todo o processo de reforma legal e institucional em matéria da infância e adolescência já iniciada, com enfoque em três grandes áreas: 3.5.1. A promoção e Divulgação dos Direitos da Criança, em que se pretende: "
A organização de todo o processo da reforma legal e
institucional em matéria da infância e adolescência;
A actuação nesta área, visa fundamentalmente: 1) O desenvolvimento
de projectos que concorrem para o fortalecimento e melhoria das condições
das famílias, principalmente as em situação de
risco e alto risco, as em situação de rua e as acolhidas
nos Centros; 3.5.3. Intervenção Sócio-educativa para a responsabilização dos jovens em conflito com a Lei Com o objectivo de contribuir para a formação e responsabilização dos jovens em conflito com a lei, é imprescindível a organização e implementação de um programa de Medidas Sócio - educativas a ser desenvolvido em Centros criados para o efeito e através de actividades que se inscrevem no domínio da protecção e reinserção social e familiar. 3.6. Apoio Sócio-Educativo: compensar as desigualdades Uma democraticidade
efectiva do sistema educativo, que garanta uma real igualdade de oportunidades
de acesso e sucesso escolar, passa pela introdução de
medidas de compensação da situação socio-económica
degradada das famílias de muitas crianças em idade escolar.
A política de acção social escolar estará virada para a compensação das desigualdades sociais, tanto nas condições de acesso como de sucesso, através da aplicação de critérios de discriminação positiva que visem a compensação social e educativa dos alunos economicamente carenciados. Para melhorar a sua capacidade de resposta o serviço de acção social escolar deverá ser consolidado e reforçado numa base sustentável e o seu papel traduzir-se-á num conjunto diversificado de acções, em que avultam a comparticipação em refeições, serviços de cantina, transportes, manuais e material escolar, concessão de bolsas de estudo, um programa de saúde escolar e de alojamento (residências estudantis) para alunos carenciados e oriundos de zonas sem cobertura do ensino secundário geral e técnico e apoio aos programas de formação profissional. A execução de um programa de reforço dos mecanismos de acção social escolar deverá considerar a valorização das dotações financeiras dirigidas para a acção social escolar e para um esforço de distribuição dessas dotações que atenda às prioridades estabelecidas. O Governo propõe assim dirigir a sua atenção para os seguintes vectores fundamentais: (i) Consolidação
e reforço da política de acção social
escolar; Apesar dos ganhos conseguidos com o Projecto de Saúde Escolar, persistem ainda problemas e necessidades em termos de saúde a nível de higiene, nutrição, saneamento e adopção de comportamentos saudáveis, para além dos desafios que se colocam ao país, particularmente no combate à SIDA. Por isso, o Governo aposta na implementação de um Programa Nacional de Saúde Escolar (PNSE) enquadrado nas estratégias maiores de redução da pobreza e de desenvolvimento do país num contexto de vulnerabilidade económica e social, estabelecendo como prioridade o seguinte: "
Implementação de um programa alargado, de abrangência
nacional, de Saúde Escolar, Alimentação e Educação
de Base, beneficiando todos os alunos do EBI e com progressiva extensão
ao pré-escolar e ao secundário; 3.7. Melhoria de intervenção na área da família Ciente que, apesar dos avanços significativos alcançados no país a vários níveis, muitas famílias vivem ainda em situação de grande vulnerabilidade económica, social e cultural, e consciente também das transformações que se vêm operando na família cabo-verdiana com reflexos no seu funcionamento e estrutura, bem como na rede de relações familiares e sociais, o governo nesta legislatura elegeu a Família como uma das suas áreas privilegiadas de intervenção. Com efeito, o governo vem acompanhando com preocupação as transformações operadas na família cabo-verdiana, resultado em parte da evolução de todo o contexto social, económico e político, e das influências externas, assim como a ocorrência de certos fenómenos, como o aumento de situações de famílias mono-parentais, violência doméstica, delinquência juvenil, crianças em situação de rua, casos de prostituição e abuso sexual infantil, toxicodependência, entre outros. Todos esses factores conjugados reforçaram a determinação do governo em repensar as actuações que vêm sendo dirigidas às famílias, importando assim definir uma politica e uma estratégia de intervenção centradas na família, como forma de fazer face às varias problemáticas que afectam a família cabo-verdiana. Igualmente, isso permitirá também viabilizar os seus direitos, promover o exercício da cidadania, e consequentemente contribuir para o desenvolvimento do país, e sobretudo garantir a continuidade da nação cabo-verdiana. Assim, e tendo em conta a importância, o valor e o estatuto atribuídos à família, o governo propõe-se: 1) Adoptar uma politica transversal de promoção e desenvolvimento da família, tomada como uma entidade, objecto de politicas multisectoriais e integradas, e não apenas como beneficiária de politicas sectoriais isoladas, como vem acontecendo. Trata-se de uma abordagem que irá permitir uma intervenção mais coerente e global, rentabilização de recursos, sinergia de esforços, bem como um melhor acompanhamento e avaliação do impacto da implementação dessas politicas no desenvolvimento e evolução da família;
3) Criar instrumentos e mecanismos de coordenação das medidas a serem adoptadas; 4) Desenvolver estudos para um melhor conhecimento do sistema estrutural e funcional da família cabo-verdiana; 5) Criar condições para fortalecer a família através de incentivos de vária ordem, sendo de destacar, (i) institucional, (ii) jurídico-legislativo, (iii) sócio-economicos, (iv) organização de respostas especificas para as famílias mais pobres, e sobretudo as que se encontram em situações especiais, tais como, com: membros portadores de deficiência, toxicodependentes, chefes de família e/ou membros reclusos, entre outras; 6) Estabelecer cooperação com organismos e organizações nacionais e internacionais que se ocupam das problemáticas ligadas à família, visando a construção de parcerias e de busca de soluções conjuntas para a defesa e promoção da família, enquanto célula básica de toda e qualquer sociedade. CAPÍTULO 4. PELA QUALIDADE DE VIDA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL A promoção de uma economia competitiva, com qualidade de vida e sustentabilidade ambiental esteve e está no cerne das preocupações do Governo. É assim que o país conheceu avanços significativos designadamente nos sectores da educação, saúde, infra estruturas de abastecimento de água, acesso ao saneamento básico, electrificação e de desenvolvimento integrado das comunidades rurais, com impacto positivo na qualidade de vida das populações. Os avanços registados nos últimos anos, em decorrência dos programas e projectos implementados e das reformas introduzidas, traduziram-se, entre outros, em: "
Redução das disparidades regionais a todos os níveis
e melhoria da qualidade do sistema de ensino e no desenvolvimento
de um sistema integrado de formação profissional; O Governo irá reforçar a sua acção, prosseguindo a política de promoção de um desenvolvimento com qualidade ambiental. Neste domínio e com base nos ganhos já alcançados com a elaboração do Plano de Acção Nacional para o Ambiente entramos decididamente numa nova fase de implementação da política ambiental, que será orientada para a defesa dos princípios de desenvolvimento durável, integrando de forma harmoniosa as componentes ambiental, económica e sócio-cultural visando a protecção e a gestão integrada dos recursos naturais, a luta contra a pobreza e a adequação dos modos de produção e consumo. Para a presente legislatura o Governo promoverá uma abordagem que favoreça a diversificação das actividades produtivas e o desenvolvimento integrado das comunidades rurais, através do ordenamento das bacias hidrográficas, em paralelo com o alargamento da rede de infra-estruturas e dos serviços essenciais, com realce para a electrificação rural e vias de acesso. A finalidade é a utilização sustentada e racional do conjunto dos recursos "no território", associando, ao mesmo tempo, acções integradas de promoção da produção, de desenvolvimento das infra-estruturas socio-económicas e de reforço da capacidade de gestão dos utilizadores e das organizações comunitárias. O Governo prosseguirá a política de gestão integrada dos recursos hídricos e saneamento, tendo como objectivos a exploração durável da água e de todos os recursos a ela ligados, a melhoria das condições de vida das populações, bem como a dinamização das actividades económicas O Ordenamento do território é erigido, para a presente legislatura em instrumento estratégico para a promoção do desenvolvimento que pretendemos, devendo contribuir para uma gestão eficiente e parcimoniosa do território e dos recursos naturais. O Governo
adoptará medidas e acções de articulação
das diversas políticas sectoriais no território, de
forma harmoniosa e sustentada, com vista a garantir o desenvolvimento,
a preservação e a valorização dos recursos
naturais, a coesão territorial e a melhoria da qualidade de
vida das populações. A coordenação entre
as políticas e os programas a nível sectorial e local,
constituirá outro eixo importante de acção. Daí
que se tenha de adoptar medidas e acções de articulação
das diversas políticas sectoriais no território, de
forma harmoniosa e sustentada, com vista o desenvolvimento, a preservação
e valorização dos recursos naturais, a coesão
territorial e a melhoria da qualidade de vida das populações,
o que, por sua vez, implica a coordenação entre os sectores
e os níveis da administração dos poderes central
e local. Importantes instrumentos foram já adoptados tais como a nova Lei de Bases do Ordenamento do Território e do Planeamento Urbanístico e a Lei das Expropriações, encontrando-se em curso de apreciação pelo Governo a Lei de Uso dos Solos, a Lei do Cadastro e a Lei da Produção Cartográfica; teve já início a elaboração dos Planos Urbanísticos Municipais de cerca de uma dezena de Municípios. Está tendo lugar a integração da problemática do planeamento urbanístico nos Planos Ambientais Municipais, bem assim observações GPS para a modernização da Rede Geodésica Nacional e cálculo das coordenadas de transformação para a produção de cartografia nacional. Foram já
produzidas fotografias aéreas e ortofotomapas de todo o país,
à escala 1:10.000, e de 40.000 ha, de zonas urbanas, a 1:2.000;
teve início a montagem de um Sistema de Informação
Geográfica de Base Territorial, SIT, com a aquisição
de equipamentos informáticos e a concepção da
arquitectura do sistema. O Governo propõe-se para a presente legislatura levar a cabo as seguintes acções: "
Aprovação do pacote legislativo, já elaborado,
e proceder à respectiva regulamentação; Considerando a transversalidade do ordenamento do território, no departamento governamental de tutela será criada uma instância de coordenação e complementaridade integrada compreendendo a DG do Ambiente, a DGASP, a DGPE, e outras instituições com intervenção na gestão do solo. 4.1.2. Desenvolvimento regional e coesão territorial A coesão territorial deve assentar no desenvolvimento adequado e gradual da estratégia de desenvolvimento sustentável do país, através de mecanismos de que potenciem os recursos das regiões através de clusters regionais como as zonas de desenvolvimento turístico integrado e zonas de reserva e protecção turística, os produtos culturais materiais e imateriais, os recursos da biodiversidade, as áreas protegidas, etc. Na implementação dos instrumentos de planeamento e na integração das políticas sectoriais, as componentes económica, social e ambiental do desenvolvimento sustentável, exigem a criação de condições apropriadas para transformar as regiões com habitação e serviços de qualidade, redes de infra-estruturas e acessibilidades, pólos de servidão, equipamentos colectivo, em convergência com o objectivo último que é o de elevados índices de desenvolvimento humano. O Governo promoverá iniciativas com vista uma visão integrada das regiões que promova e reforce a coesão territorial sustentada por projectos integradores das complementaridades, projectos regionais de carácter sócio-económico e ambiental e demais com incidência na qualidade de vida como sejam a saúde, educação, segurança, mobilidade regional e outros. Trata-se de um processo que implicará a identificação de pólos de desenvolvimento regional e local, a integração dos instrumentos de políticas com base territorial, a qualificação dos recursos humanos, o desenvolvimento de uma rede de núcleos de povoamento com pólos de competências especializadas. Com efeito,
será necessário: a adopção de um Plano
de Desenvolvimento Regional com base em diagnóstico das necessidades
de investimento público ou privado contribuindo para o reforço
da coesão territorial; a elaboração de estudos
prospectivos e de análise da evolução económica
e social do país que forneçam elementos de fundamentação
do conjunto de quadros de referência sobre as prioridades do
investimento público à escala regional; negociação
das perspectivas financeiras indispensáveis à maximização
do processo; reforço da infra-estruturação do
país para contribuir para a superação das assimetrias
regionais; cobertura regional em matéria de distribuição
de água potável e de tratamento de águas residuais,
tratamento dos resíduos sólidos e dos resíduos
industriais; valorização da componente ambiental; reforço
da política de desenvolvimento da economia rural como instrumento
de fixação das populações do interior
do país. Concebemos e estamos a implementar, num quadro alargado de parceria (público/privado, ONG, organismos de investigação nacionais e internacionais), com sucesso, o Segundo Plano de Acção Nacional para o Ambiente (PANA II), no horizonte 2004-2014, tendo como objectivo geral fornecer uma orientação estratégica para guiar o uso racional dos recursos naturais e a gestão sustentável das actividades económicas. Mobilizamos os recursos, através da ajuda orçamental, para a implementação do PANA II e assinamos já os protocolos para os Planos Ambientais Municipais. De igual modo, prossegue a execução dos programas e projectos sectoriais designadamente nos sectores da educação, saúde, ordenamento do território, recursos hídricos, biodiversidade, das pescas, da agricultura, energia, indústria, etc. A educação ambiental está sendo abordada de forma global, como instrumento transversal de apoio à implementação de todos o programas e para a mudança dos comportamentos e dos padrões de consumo. Avanços significativos são de destacar nos domínios institucional e legal, com a estruturação do sistema de coordenação e gestão, com a criação do sistema de informação ambiental e com o processo de regulamentação da legislação ambiental. O Governo prosseguirá a promoção de um desenvolvimento com qualidade ambiental, integrando de forma harmoniosa as três vertentes essenciais do desenvolvimento durável, seja a componente económica, a ambiental e o desenvolvimento socio-cultural, com os seguintes objectivos: a) A protecção
e a gestão integrada dos recursos naturais, essenciais ao desenvolvimento
económico Assente nos seguintes eixos estratégicos: d) Gestão
sustentável dos recursos naturais; A nível sectorial a acção do Governo será orientada para (i) o reforço da integração do ambiente nas políticas sectoriais, através dos mecanismos de revisão do PANA II e dos instrumentos de planeamento pluri - anual ; (ii) O ordenamento do território, com a elaboração dos diferentes planos, a montagem de um Sistema Nacional de Cadastro e a criação de um Sistema de Informação Territorial. A implementação das convenções das Nações Unidas no domínio do ambiente , em particular as ligadas á Diversidade Biológica e à Luta contra a desertificação e efeitos da seca e mudanças climáticas , merecerão uma atenção particular do Governo. A gestão dos fenómenos climatéricos é de fundamental importância num país insular com uma extensa orla costeira, de origem vulcânica e com um vulcão em actividade e vulnerável, face aos fenómenos associados às mudanças climáticas. A ocorrência de alguns fenómenos naturais extremos exigiram a mobilização de apoios externos para fazer face aos eventuais danos e transtornos, merendo realce os episódios frequentes e intensos de bruma seca, a invasão de gafanhotos, os devastadores ciclones tropicais que se formaram nas nossas águas, inundações decorrentes de chuvas torrenciais, entre outros. Deu-se início a um processo de desenvolvimento e consolidação institucional, com os sectores de Meteorolgia e Geofísica participando de forma activa nos programas alargados de intervenção governamental ao nível do Meio Ambiente, da Aeronáutica, Agricultura, Pescas, Turismo, Luta Contra a Pobreza, Saúde e outros sectores da vida económica. Para os próximos cinco anos a acção do Governo será orientada pelos seguintes eixos prioritários : (i) Modernização das instalações, equipamentos e serviços e na capacitação dos recursos humanos, com vista a dotar o país de ferramentas e conhecimentos que possibilitem o fornecimento de produtos e serviços de qualidade. (ii) Melhoria das comunicações que possibilitem uma monitorização e disseminação em tempo útil, dos dados, produtos e serviços disponíveis; (iii) Definição e implementação de uma política de recuperação de custos , por forma a permitir, por um lado, a recuperação dos investimentos e por outro, a garantir sustentabilidade a sectores que pela sua natureza devem prestar um serviço público muito rigoroso e transversal; (iv) Integração efectiva do país em programas de âmbito regional e mundial e nos circuitos da circulação atmosférica planetária, com vista à valorização da vantagem estratégica da nossa localização, (v) Criação de modelos de previsão, adaptados à região envolvente do arquipélago e facilitadores de tomadas atempadas de decisão, com vista a prevenir riscos e a atenuar efeitos devastadores dos desastres naturais, ou de operação dos sectores que de forma vital dependem das condições de tempo. (vii) Implementação de um Centro Nacional Especializado de Previsão de tempo, capaz de materializar de forma eficaz e eficiente os planos de melhoria da prestação de serviço; 4.3 Desenvolvimento rural e recursos naturais 4.3.1. Desenvolvimento integrado das comunidades rurais Com base numa participação alargada das comunidades e na responsabilização dos beneficiários, a modernização da agricultura conheceu progressos: a área irrigada com sistemas de rega modernos aumentou de forma significativa ; a diversificação das culturas, em particular no domínio da horticultura, conheceu um grande incremento, com impacto no abastecimento regular do mercado; o ordenamento das bacias hidrográficas prossegue, com importantes projectos em curso e/ou em fase de arranque, nas principais ilhas agrícolas; projectos inovadores foram executados, com destaque para a primeira barragem de Cabo Verde, marcando a viragem na mobilização das águas de escorrimento superficial; a investigação agrária conheceu um novo dinamismo; foram elaborados e estão sendo implementados o plano estratégico de desenvolvimento agrícola a longo prazo (horizonte 2015) e o plano de acção prioritário a médio prazo (horizonte 2005-2008). Para a
VIIª legislatura o Governo promoverá uma abordagem que
favoreça a modernização e a diversificação
das actividades produtivas e o desenvolvimento integrado das comunidades
rurais, através do ordenamento das bacias hidrográficas,
em paralelo com o alargamento da rede de infra-estruturas e dos serviços
essenciais, com realce para a electrificação rural e
as vias de acesso. A acção do Governo será orientada para uma melhor integração da actividade agrícola no processo de desenvolvimento económico e o reforço da multi - funcionalidade do sector , articulando a protecção do ambiente, o ordenamento do território , a gestão dos recursos naturais com especial realce para a optimização da utilização da água , a segurança alimentar, a criação / manutenção de empregos e o aumento da produção e da qualidade. A " nova agricultura" estimulará o surgimento de fileiras competitivas, incluindo a prestação de serviços, em especial o turismo rural, em particular através da articulação com o processo de desenvolvimento de parques naturais e de valorização dos recursos ambientais e conservação da natureza. Neste sentido, serão reforçadas as acções nos domínios da formação, da extensão rural e do crédito, visando criar novas oportunidades e reduzir os desequilíbrios no acesso aos recursos. O desenvolvimento do sector do turismo abre novas perspectivas à produção agro-pecuária. Assim, a melhoria da qualidade e do circuito de comercialização e o reforço da capacidade empreendedora dos produtores, merecerão uma atenção particular. O desenvolvimento integrado das comunidades rurais prosseguirá os seguintes objectivos: a) Assegurar
as condições de existência durável aos
produtores; Para a concretização desses objectivos as intervenções deverão articular-se de forma complementar em torno dos seguintes eixos: c) Gestão durável dos recursos naturais - hídricos, fundiários e biológicos - visando a intensificação e a diversificação da produção agrícola, através , nomeadamente do reforço das infra-estruturas e das capacidades de gestão das comunidades rurais, no quadro do ordenamento das cinco zonas agro - ecológicas definidas e do fomento d e sistemas agro - florestais . d) Valorização dos produtos agrícolas, pelo reforço das actividades de conservação, transformação, comercialização e promoção, de forma integrada, das actividades rurais geradoras de rendimento; e) Reforço dos serviços de extensão e de investigação /desenvolvimento, com base na abordagem produção e protecção integrada na articulação intersectorial e orientada para: o reforço da ligação entre a investigação /desenvolvimento e a extensão/vulgarização; o desenvolvimento de uma capacidade de prestação de serviços especializados; a análise das componentes socio- económicas dos sistemas de produção , assente numa forte articulação entre os serviços públicos , privados e comunitários . f) Estabelecimento de um ambiente socio - económico e político favorável, através : do reforço das infraestrutras de abastecimento de água e saneamento, vias de acesso, electrificação rural, saúde, etc; do desenvolvimento dos serviços de promoção e apoio adaptados (factores de produção, micro - crédito, formação, comercialização); reforço da capacidade empreendedora dos produtores agrícolas; da criação de empresas e de associações de produtores; da formação /capacitação dos produtores e o estimulo à profissionalização dos trabalhadores da agricultura moderna; do reforço da capacidade de seguimento e avaliação, incluindo as estatísticas sectoriais; a qualidade e a segurança da cadeia alimentar. g) Luta sustentada contra a insegurança alimentar e a má nutrição, incluindo: o desenvolvimento de sistemas de alerta e de intervenção rápidos, com base num sistema de informação para a segurança alimentar; a complementaridade entre os projectos de investimento e as acções de protecção, em particular para as camadas mais vulneráveis da população. Nesta perspectiva, os programas de emprego público, designadamente através das frentes de alta intensidade de mão de obra, utilizados na luta contra a pobreza serão desenvolvidos de forma a garantir a articulação entre as necessidades de garantir um rendimento estável , a curto prazo, e a problemática de desenvolvimento rural global , a longo prazo, com vista a se estabelecer uma base para o desenvolvimento económico sustentável, em particular para as populações rurais mais pobres. No plano sectorial o Governo propõe: a) Produção vegetal: adaptação dos sistemas de produção ás potencialidades das zonas agro- ecológicas, através da integração agro- silvo - pastoril; aumento da produtividade e a diversificação da produção nas zonas húmidas e sub- humidas , com base na mobilização e na gestão melhorada dos recursos hídricos, na promoção de pacotes tecnológicos de alto valor acrescentado em produção irrigada, no aumento da área coberta com micro- irrigação para as culturas hortícolas de elevado valor acrescentado. b) Produção animal: Integração do sector da pecuária nos sistemas de produção agro-silvo-pastoril intensivos, com a consequente adaptação às capacidades dos recursos naturais das diferentes ZAE; reestruturação das explorações nas zonas semi-árida e árida ; a promoção da complementaridade agro-pecuária nas zonas húmidas e a diversificação e a valorização dos produtos, permitindo rentabilizar de forma sustentável a pecuária, tanto para os camponeses (pecuária familiar melhorada) como para os investidores (pecuária intensiva semi-industrial). c) Silvicultura:
Gestão durável dos recursos, com base no ordenamento
das bacias hidrográficas, o desenvolvimento dos sistemas agro-florestais
e a gestão participativa dos perímetros florestais,
visando melhorar de forma significativa: (i) conservação
dos solos e da água; (ii) produção forrageira,
(iii) a produção vegetal sustentável; (iv) disponibilidade
energética. d) Outras actividades geradoras de rendimento serão promovidas no seio das comunidades rurais, através do incentivo à criação de uma rede de associações e de micro e pequenas empresas em domínios como: (i) a defesa e conservação do ambiente (ii) a animação sócio cultural, (iii) a execução e gestão de infraestruturas comunitárias; (iv) a promoção de mutualidades (v) o artesanato local, (vi) transformação , embalagem e comercialização, (vii) a pesca artesanal, (viii) o turismo rural. Para garantir a rentabilidade dos investimentos e a consolidação do desenvolvimento durável serão, desenvolvidas as seguintes acções: "
Reforço do Sistema de gestão fundiária, em estreita
articulação com a política de ordenamento do
território No plano institucional haverá reformas, nomeadamente: (i) ajustamento
dos papeis e funções dos órgãos centrais
e locais; Essa reestruturação
visa o reforço da capacidade institucional face às demandas,
muito em particular dos produtores, pelo que será orientada
na seguinte perspectiva: implementação da componente
Investigação Agrária do Plano Estratégico
de Desenvolvimento Agrícola; reestruturação do
Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento
Agrário, com a integração do Centro de Formação
Agrária na rede de instituições da Universidade
de Cabo Verde; estruturação da oferta formativa para
responder aos desafios da modernização, com destaque
para as áreas de extensão rural, pecuária, inspecção
fito e zoo sanitária; desenvolvimento de pacotes tecnológicos
adaptados ás diferentes zonas agro-ecológicas, tendo
em conta ao diferentes sectores (produção vegetal, animal);
reforço do apoio metodológico às organizações
responsáveis pela execução e aos diferentes parceiros
do sector agrícola; difusão das informações
cientificas e técnicas e dos resultados da investigação
Programas inovadores de mobilização de águas foram implementados: A primeira barragem da história de Cabo Verde encontra-se em fase de conclusão e passos concretos já foram dados no sentido da construção de mais barragens. Um programa alargado de construção de infraestruturas de captação , stockagem das águas de escorrimento superficial, bem como de mobilização das águas subterrâneas está em curso. O aproveitamento das águas residuais é hoje uma realidade, com a irrigação de cerca de 70 ha em S. Vicente. Ao nível das infra-estruturas de abastecimento de água e saneamento urbano foram realizados investimentos importantes nos centros urbanos e secundários, e estão em curso os projectos de abastecimento de água e de saneamento do Sal e da Boavista. Estão, ainda, programados os projectos para Pedra Badejo, Calheta, Praia e Mindelo. Os investimentos realizados permitiram uma taxa média de cobertura invejável a nível nacional, de cerca de 80%, com maior aproximação dos pontos de distribuição das comunidades e a melhoria sensível da quantidade e da qualidade de água potável disponível por habitante, colocando ao nosso alcance os Objectivos do Desenvolvimento do Milénio, no horizonte 2015, para à água e saneamento, seja, "reduzir para metade a percentagem da a população que não tem, o acesso à água potável , de forma durável". A disponibilidade de água para as actividades económicas - agricultura turismo, indústria, etc. aumentou de forma significativa e os projectos em curso ou já identificados, visando a gestão integrada dos recursos hídricos, através do aumento das capacidades instaladas no domínio da dessalinização, do melhor aproveitamento das águas de escorrimento superficial, do alargamento dos sistemas de tratamento e de aproveitamento das águas residuais, constituem a garantia da consolidação dos resultados alcançados. O Governo prosseguirá a política de gestão integrada dos recursos hídricos e saneamento, tendo como objectivos: "
A exploração durável da água e de todos
os recursos a ela ligados A acção do Governo será orientada pelos, seguintes eixos: a) Elaboração e implementação de um Plano de Acção Nacional de Gestão Integrada dos Recursos Hídricos; b) Dinamização do investimento, tanto público como privado, associado à promoção da cultura empresarial nos diversos níveis de intervenção e ao estabelecimento de parcerias publico -privado para a mobilização dos recursos para o financiamento dos investimentos nos sistemas modernos de produção de água ,para abastecimento às populações como para as actividades económicas, incluindo a agricultura; c) Alargamento
da rede de infraestruturas de captação e stockagem de
água , incluindo a construção de novas barragens
e de grandes reservatórios , no quadro da valorização
e do ordenamento das bacias hidrográficas; e) Reforço
da utilização das energias renováveis para a
mobilização/ produção de água;
No quadro da implementação do Plano de Acção Nacional para o Ambiente serão desenvolvidas medidas específicas de apoio técnico e financeiro às Câmaras Municipais e aos Serviços Autónomos na gestão dos sistemas de saneamento. A educação
ambiental será reforçada e serão estabelecidas
parcerias com as Organizações não governamentais
e as organizações da sociedade civil para o desenvolvimento
de programas de informação e sensibilização.
Entende ainda o governo criar condições para o surgimento de um mercado dinâmico, capaz de atrair o investimento privado nacional para a infra estruturação, construção e reabilitação, urbanas, nomeadamente pela actualização da Lei do arrendamento e pela laboração de legislação que regula a promoção imobiliária e fundiária CAPÍTULO
5. MAIS DEMOCRACIA, EMPREENDEDORISMO E CIDADANIA 5.1. Um Estado para um país arquipélago e de diásporas e promotor da boa governação O processo de Transformação de Cabo Verde numa Nação próspera, sustentada numa economia moderna e competitiva está intimamente ligado a um outro grande desafio que é a consolidação da nossa Democracia assente na solidez das suas instituições. A consolidação do regime democrático é assim para as próximas décadas um imperativo fundamental e tem como pressuposto a consolidação da Boa Governação enquanto factor chave de toda a estratégia de desenvolvimento de Cabo Verde. A necessidade de responder às demandas de uma sociedade cada vez mais informada e consciente dos seus direitos, mas que também deve estar ciente dos seus deveres, determina ao Governo, uma postura e acções voltadas no sentido de reforçar a cidadania e consolidar os procedimentos do Estado de Direito Democrático. Por isso, o programa do Governo vai de encontro a um forte compromisso de se trabalhar para a intensificação da democracia e o reforço da cidadania, apostando fortemente em acções de aproximação do poder aos cidadãos. Acreditamos, que com a expansão da cidadania e a consolidação do regime democrático cria-se um enorme potencial de transformação do próprio Estado e da forma de Governar e é este o caminho para o surgimento de formas inovadoras de intervenção nos mais diversos domínios. O estímulo à liberdade, enquanto valor fundamental da consolidação da democracia, é o pilar para a construção de uma Nação empreendedora e inovadora. A aposta na ampliação e reforço da cidadania vai permitir que a vontade de acção da sociedade civil e dos cidadãos estimule o surgimento de uma sociedade com mais qualidade e melhores condições de vida. É neste sentido que se projecta mais democracia, empreendedorismo e cidadania. O Governo tem, pois, uma visão do Estado que quer, um Estado que favoreça a equidade social, a inovação e o empreendedorismo, em sintonia com os desafios do século XXI. Para tanto é fundamental o compromisso de consolidar o processo de reforma do Estado, reinventar a forma de governar, de forma que o Estado possa reflectir as mudanças aceleradas que a era da tecnologia e da economia globalizada vêm impondo às Nações. Esse imperativo de reforma do Estado, é o caminho do reforço da democracia, uma vez que as organizações públicas precisam adoptar mecanismos modernos e flexíveis de trabalho, voltados para a satisfação do cidadão e das empresas e abertos à sociedade. Para além disso, é fundamental que a máquina pública esteja orientada para o desafio de desenvolvimento económico, redução da pobreza, inclusão social e expansão da cidadania e dos direitos democráticos e com um forte sentido de equilíbrio territorial, conciliando os objectivos locais com os do poder central. No âmbito dos grandes desafios de Reforma do Estado para os próximos anos, elege-se comos eixos de acção os princípios da democracia e participação cidadã na gestão pública do Estado, a transparência, a eficiência, a ética e o reforço da governabilidade democrática a nível local. Com este quadro conceitual, o grande desafio da Reforma do Estado será assumido com ousadia e determinação. Assim, um coerente pacote de políticas e medidas, a partir de uma visão estratégica, construída com o máximo de consenso possível e integrando uma Agenda para a Reforma do Estado, será executado, no quadro de um processo ambicioso de reconceituação do Estado. Um Estado capaz de dar respostas às exigências de um país arquipélago e de diásporas. Um Estado social, moderno e sintonizado com os valores da Constituição da Republica, garantidor e respeitador das liberdades e da legalidade democrática. Um Estado regulador e fomentador do empreendedorismo individual e social. Um Estado descentralizado, mas eficaz, que favoreça a articulação e integração de capacidades, competências, recursos institucionais, financeiros e humanos a nível de cada região de forma a impulsionar um desenvolvimento equilibrado e sustentado do país. 5..2 Processo Eleitoral: Pela consolidação da democracia e da representação política Apesar de jovem a democracia cabo-verdiana tem sido apresentado como um modelo. Temos, entretanto, a ambição de melhorar a qualidade e consolidar essa democracia e os mecanismos de escolha e representação política. O reforço da cultura democrática e a valorização da democracia representativa aos olhos do cidadão, através da sua dimensão participativa e participada, passa por uma reforma do sistema eleitoral. Passa também, já hoje - e passará mais no futuro -, por todo o potencial da sociedade da informação, pelo que urge delinear e executar um programa consistente nesse domínio, de modo a que assegure um maior envolvimento dos cidadãos - tanto no país como na diáspora - na vida política, melhorando a sua relação com as instituições representativas da República. Perspectiva-se, assim, a tomada das seguintes medidas que se consideram fundamentais para o desenvolvimento da democracia em Cabo Verde: (i) a reforma
do Código Eleitoral que se norteie pelo princípio de
uma maior aproximação entre os eleitos e seus eleitores
e que confira maior certeza ao recenseamento eleitoral; 5.3. Descentralização e Regionalização para um desenvolvimento equilibrado A consolidação
e o aprofundamento do poder local pressupõe um conjunto de
reformas globais e de acção e iniciativas públicas
visando o desenvolvimento institucional dos municípios, a capacitação
dos seus recursos humanos, a consolidação da autonomia
municipal, a modernização da administração
municipal, o fomento da solidariedade municipal e a consolidação
da tutela de legalidade. Prosseguindo com a política de descentralização o Governo propõe-se implementar as seguintes medidas: (i) Considerar
a especificidade do Município de Praia, que, além das
funções municipais tradicionais, também concentra
as funções de sede de poder político e de centro
metropolitano com a acumulação de um conjunto de problemas
sociais e disfunções daí derivados e continuar
diligências em sede do Parlamento para que seja aprovado o estatuto
especial da Praia enquanto capital do país; 5.4. Alargar os espaços de participação do cidadão e das Organizações da Sociedade Civil O nosso objectivo é o de, cada vez mais e melhor, Cabo Verde ser uma sociedade de cidadania responsável e de um Governo que dê cabal resposta à demanda dos cidadãos. Vamos também investir fortemente na educação para a cidadania para que haja uma melhor assumpção de qualidade dos direitos e deveres do cidadão, uma maior e melhor apropriação e usufruto dos ganhos do desenvolvimento nos planos cívico, político, económico e cultural, de efeitos elevados no exercício da democracia e do poder, nos planos local e nacional. Continuará a ser prestada a devida atenção ao reforço do papel da sociedade civil organizada no processo de desenvolvimento de Cabo Verde, conferindo-lhe espaços mais alargados de participação do cidadão na gestão directa de interesses colectivos nas várias esferas de intervenção económica, cultural, social e cívico, forma privilegiada dos jovens, mulheres, operadores económicos, agentes culturais e desportivos e agentes do desenvolvimento comunitário, exercerem o quotidiano da democracia e da cidadania. Muito em particular, serão desenvolvidas parcerias com ONG e outras organizações da sociedade civil em programas e projectos de luta contra a pobreza, desenvolvimento comunitário, gestão de equipamento social, bem como para a gestão de serviços prestados pela administração pública que associações representativas estão qualificadas para o seu exercício com eficiência e eficácia. Para o efeito, o Governo continuará incentivando acções de capacitação institucional das organizações da sociedade civil, desenvolverá medidas de políticas de reforço a incentivos com base em critérios a definir conjuntamente com as organizações representativas, para além da criação de condições que facilitem o acesso ao crédito, muito em especial quando se trate de iniciativas geradoras de rendimento e de emprego. O quadro normativo que regula a organização e o funcionamento das Organizações da Sociedade Civil, bem como as relações com os poderes públicos carece, hoje, de regulamentação e de criação de novos instrumentos, com vista à sua adequação à evolução que a dinâmica associativa privada, sem fins lucrativos, vem conhecendo no país no último decénio e no mundo. Pretende o Governo criar as condições institucionais e legais para o desenvolvimento de parcerias efectivas com as ONG's e demais organizações da sociedade civil sem fins lucrativos; o reforço da sua capacidade de intervenção; a melhoria da sua organização interna; e a implementação de uma política clara e transparente de financiamento das actividades de desenvolvimento de base. Neste quadro,
propõe-se o Governo: 5.5. Fomentar a perspectiva Género A integração
da abordagem género em Cabo Verde tem sido um desafio face
às percepções sócio-culturais ainda subsistentes
na sociedade e que muitas vezes constituem entrave ao desenvolvimento,
formulação e implementação de políticas.
5.6. Comunicação social cada vez mais livre e qualificada A existência de uma Comunicação Social livre, independente e pluralista é o esteio do necessário e salutar espírito crítico na sociedade, factor caracterizador do Estado Democrático, pelo papel que lhe cabe na garantia do exercício, pelos cidadãos, do seu direito à livre expressão de pensamento e criação, bem como de informar e se informar. No decorrer desta legislatura, a Comunicação Social terá que se afirmar como um instrumento essencial no processo de desenvolvimento e de transformação de Cabo Verde numa sociedade cada vez mais moderna, pelo papel que lhe cabe na promoção do homem e da mulher cabo-verdianos como cidadãos plenos e abertos à modernidade. A Comunicação Social terá que ser perspectivada numa relação directa com os valores da nossa identidade nacional, assim como os valores intrínsecos à democracia e à sã convivência democrática, não esquecendo os valores como a dignidade da pessoa humana e a universalidade das conquistas em seu benefício; aliás, factores imperativos na existência de uma sociedade desenvolvida, que respeita o pluralismo social, de tolerância e inclusão. Deve, outrossim, contribuir para a inserção do País na sociedade global e de informação, realidade incontornável neste milénio. Decorre daí a necessidade de se acelerarem as reformas na Comunicação Social, de forma a ultrapassar os constrangimentos que se nos apresentam a cada dia. Desde logo, é essencial continuar a garantir aos Órgãos da Comunicação Social do Estado e aos seus profissionais o indispensável ambiente de liberdade, isenção e independência, numa perspectiva de qualidade, profissionalismo e rigor na prestação dos serviços aos cidadãos. De resto, é notória a influência que a Comunicação Social exerce não só no quotidiano dos cidadãos, assim como na formação das suas opiniões e dai decorre a necessidade de se garantir um quadro legal de responsabilização social e de salvaguarda do direito a uma informação livre, rigorosa, pluralista e responsável. O Governo continuará a primar por uma lógica de defesa intransigente do direito à livre expressão do pensamento e criação, promovendo a liberdade de imprensa e editorial, num contexto onde a liberdade e independência dos meios de comunicação face aos poderes político e económico seja uma realidade, viabilizando o confronto das correntes de opinião que o pluralismo social e a sociedade democrática legitimam. No tocante a medidas de política, o Governo actuará no sentido de: 1. Reformar e modernizar o sector público da Comunicação Social, procurando que o seu funcionamento se proceda num contexto de rigor, modernidade e autonomia. Assim sendo, o Governo pretende avançar com as seguintes medidas: (i) Dar continuidade à modernização do quadro legal e do ambiente de regulação do sector da Comunicação Social; (ii) Criar as condições para o desengajamento do Estado da esfera da imprensa escrita; (iii) Promover a cooperação bilateral e multilateral, procurando, em especial, incrementar a politica de formação e especialização dos profissionais da área, sempre na busca de níveis mais elevados de qualidade dos serviços prestados aos cidadãos e de uma maior valorização da classe. (iv) Reforçar a componente "Agência de Notícias", assegurando-lhe a modernização necessária à melhoria dos seus serviços; (v) Regionalizar, progressivamente, as emissões da Rádio, procurando estimular, através de parcerias com municípios e organizações da sociedade civil, o surgimento de rádios locais e comunitárias; (vi) Concluir o contrato de concessão de serviço público entre o Estado e a RTC, SA, de molde a que a empresa possa concretizar um serviço de qualidade, desempenhando um papel relevante na difusão da cultura e no respeito pelas preferências da audiência em toda a sua diversidade; (vii) Redefinir o serviço público de televisão, bem como as condições para a sua prestação, com qualidade, aos cidadãos; (viii) Apoiar a RTC, SA na elaboração e implementação de um plano de reestruturação dos seus serviços e do seu quadro de pessoal, bem como a sua reestruturação económica e financeira; (ix) Criar as condições para a modernização dos serviços de radiodifusão e de televisão, através da sua digitalização; (x) Criar as condições para a transmissão de programas de televisão via satélite, procurando, desta forma, cobrir todo o território nacional e levar às nossas comunidades residentes no estrangeiro programas nacionais; (xi) Criar as condições para a construção de novas instalações para a Televisão; (xii) Incentivar o intercâmbio e a cooperação internacional, assim como a co-produção televisiva entre os órgãos de Comunicação Social nacionais e estrangeiros, especialmente com os da CPLP; (xiii) Promover, em cooperação com os departamentos governamentais responsáveis pela Educação, pela Família e pela Juventude, de estudos conducentes à criação de um serviço público de televisão escolar e educativa; (xiv) Alargar a rede de correspondência dos Órgãos Comunicação Social nos países da CPLP e outros onde interesse das comunidades cabo-verdianas a justifique; (xv) Instalar progressivamente delegações da RTC, SA nas regiões do país onde não existam; (xvi) Proceder a alterações à lei da televisão, de forma a viabilizar o exercício da actividade televisiva privada em Cabo Verde, por um lado, garantindo uma maior diversificação das opções e qualidade dos programas apresentadas ao público e, por outro lado, respondendo às exigências de uma sociedade que se quer cada vez mais plural e moderna, em total conformação com a Constituição da República; (xvii) Incentivar a criação e implantação de canais de televisão privada, através da abertura de concurso público para a actividade de televisão ao sector privado, (xviii) Criar as condições para a reestruturação e o reforço institucional do Conselho da Comunicação Social (nomeadamente permitindo a inclusão de um representante dos jornalistas) e para o seu efectivo funcionamento; (xix) Promover o registo profissional dos jornalistas estrangeiros; (xx) Promover a cooperação internacional no sector, zelando em particular, pela criação de parcerias, tanto a nível nacional como internacional, para a mobilização de recursos, tendo em vista a modernização da área da Comunicação Social; (xxi) Reforçar e incrementar a cooperação mantida com a UNESCO, visando a implementação de projectos de desenvolvimento do sector da Comunicação Social; (xxii) Aprofundar e estimular o sistema de incentivos à Comunicação Social privada, designadamente a imprensa escrita, através da repartição criteriosa dos recursos disponíveis, bem como a negociação de facilidades com empresas cujas áreas de actuação sejam relevantes para a Comunicação Social; (xxiii) Reforçar as relações de cooperação e intercâmbio com as rádios e televisões existentes no seio das comunidades emigradas, através da cedência dos despachos da Agência de Noticias e programas nacionais de rádio e televisão; (xxiv) Incentivar a realização de fóruns, seminários e colóquios nas diversas áreas do sector da Comunicação Social, como forma de incentivar o debate de ideias e dos desafios que se colocam ao sector e seus profissionais; (xxv) Instituir Prémios anuais de Jornalismo como forma de estimular os jornalistas a melhorar a sua prestação de serviço público; (xxvi) Reforçar o quadro de relacionamento com as instâncias representativas dos profissionais da Comunicação Social, incentivar e apoiar a criação de espaços de debates, formação e reforço da coesão entre os mesmos; (xxvii) Estimular a ética e a disciplina do mercado publicitário, em particular com a aprovação e publicação do novo Código de Publicidade, valorizador do respectivo sector de actividade. 5.7. Administração
Pública favorecedora do desenvolvimento e do exercício
da Cidadania e da Democracia Não
obstante os ganhos obtidos e reconhecidos, subsistem ainda muitos
constrangimentos na Administração Pública cabo-verdiana
que continuam a dificultar uma rápida modernização
do sector inibindo melhores níveis de eficiência, pelo
que, indo ao encontro das expectativas dos cidadãos, empresas
e sociedade civil, é preciso consolidar as acções
da governação 2001-2005 e estender os resultados a toda
a Administração Pública Central e Local, de forma
que todos tiram vantagem de uma Administração Pública
eficiente e moderna. 5.7.1 Os
Grandes Objectivos 5.7.2 Elementos
de Estratégia Pretende-se
criar, assim, um novo modelo de governação traduzida
em bens e serviços públicos de alta qualidade, orientados
para os cidadãos e para as empresas, cuja estratégia
será assente nos seguintes princípios básicos
de orientação: (i) Desburocratização/simplificação
administrativa; (ii) Descentralização; (iii) Transparência;
(iv) Responsabilização; (v) Ética; (vi) Profissionalismo;
(vii) Competitividade; (viii) Enfoque no Cidadão e nas empresas.
O desafio da modernização da Administração Pública impõe a adopção do princípio do profissionalismo como eixo estratégico de modernização e transformação da Administração Pública. O mérito será assim o principio norteador da legitimação organizacional no sentido de garantir recursos humanos qualificados de forma que possam desempenhar as suas funções com eficiência e qualidade. 5.7.3
Medidas de Politicas (i) Implementação
da Rede das Casas de Cidadão; ¢ Qualificação e valorização dos Recursos Humanos Concepção de uma politica de recursos humanos coerente com as necessidades da Administração Pública. (i) Adequação
de legislação que regula as relações de
trabalho no sector público estimulando a competência
e o espírito empreendedor. 5.8. Justiça mais célere, ao serviço do cidadão e do desenvolvimento Nos últimos cinco anos, houve uma profunda intervenção no sector da Justiça e da promoção da Cidadania, a partir de um vigoroso e coerente movimento de reformas, tendo por base um Plano Estratégico para a Justiça sufragado pelos diversos operadores do sector, o que permitiu que as reformas fossem feitas sem grandes sobressaltos e na base do diálogo e de articulações institucionais correctas. No âmbito da política legislativa, foram concluídos diversos projectos de complexidade e dimensão apreciáveis, sendo de destacar os novos Códigos Penal e de Processo Penal, a Lei da Organização e do Processo do Tribunal Constitucional, bem como o Estatuto do Provedor de Justiça. Por outro lado, a justiça está mais ao alcance dos cidadãos e a garantia de acesso está mais reforçada e diversificada. Nesta conformidade, foram adoptadas soluções propiciadoras de maior celeridade na resolução de conflitos, designadamente através dos mecanismos legislativos da Mediação e da Arbitragem. Foram também melhoradas as instalações de diversos tribunais. Foram ainda tomadas providências de reforço da capacidade resposta dos tribunais, mediante aumento do número de agentes judiciários, esforços para sua capacitação e formação bem como para a melhoria das suas condições materiais de trabalho. No domínio dos registos e notariado, prosseguiram-se profundas reformas com o objectivo de colocar o nosso país na linha dos países seguros para o investimento, reforçando a certeza e a segurança jurídicas necessárias para o desenvolvimento dos negócios. Outrossim, foram lançadas as bases da reforma do sistema prisional, investindo na melhoria das condições de funcionamento, no reforço das instalações e da segurança penitenciária, tendo sido criadas as condições para o lançamento de uma política de reinserção social dos reclusos e dos crianças e jovens em conflito com a lei. Foi intensificado o combate à criminalidade e à droga, com elevação do nível de respostas à sofisticação e complexificação da criminalidade e, em especial, de centros criminosos organizados e transnacionais. Neste particular, destaca-se a aprovação da Lei de Branqueamento de Capitais e da Lei de Protecção de Testemunhas, o reforço dos meios humanos e materiais da Polícia Judiciária, o reforço da Procuradoria-Geral da República com 3 Procuradores-Gerais Adjuntos e a intensa formação e capacitação dos diversos agentes judiciários. A cooperação judiciária a nível internacional foi aprofundada e reforçada, projectando-a em parcerias estratégicas para o combate à criminalidade transfronteiriça, tendo sido possível concluir acordos importantes neste domínio. Desde modo, no sector da Justiça, será prosseguida nesta legislatura a realização dos objectivos e estratégias do Plano acima referido, com os ajustamentos que se revelarem necessários. Para além da instalação do Tribunal Constitucional e da Provedoria da Justiça, na legislatura que ora inicia o Governo terá como eixos principais da sua intervenção no sector da Justiça: 5.8.1 Melhorar e tornar célere a resposta judicial Será dada atenção à área do processo penal, de forma a garantir as perspectivas abertas com as reformas conducentes a uma maior celeridade da justiça penal, assim fazendo combate ao sentimento de impunidade. Face aos novos desafios provocados pela crescente sofisticação do crime organizado, serão envidados esforços para dotar todo o sistema de investigação criminal dos meios adequados ao cumprimento das suas funções. Neste sentido, constituirá prioridade deste Governo reforçar os meios da magistratura do Ministério Público, nomeadamente através da criação de um gabinete especializado para o combate à criminalidade económico-financeira e da corrupção, para uma maior celeridade e eficácia das investigações dos correspondentes feitos-crime. A alteração de regras processuais civis, tornando-as mais leves, desburocratizadas e de imediata acessibilidade, será uma prioridade da agenda legislativa do sector, a par da reforma do contencioso administrativo. Do ponto de vista institucional, será igualmente dada prioridade à revisão dos estatutos dos magistrados e reavaliado o sistema de gestão das magistraturas. Serão ainda possibilitadas assessorias técnicas nos quadros orgânicos do Supremo Tribunal de Justiça, da Procuradoria-Geral da República, bem como dos Conselhos Superiores das Magistraturas Judicial e do Ministério Público, para possibilitar maior celeridade e melhor qualidade das decisões destes órgãos no exercício das suas funções e atribuições. Tendo em conta a necessidade de melhoria contínua das condições para que os tribunais exerçam a sua função soberana de administrar a justiça em tempo oportuno, o Governo promoverá nesta legislatura o alargamento do número de juízes que integram o Supremo Tribunal de Justiça, bem como o seu funcionamento por secções especializadas. A capacitação profissional será uma aposta de fundo, tendo em vista a rentabilização auspiciosa de toda a reforma legislativa e da logística material e tecnológica já implementada. O Governo empenhar-se-á em aproveitar as condições já criadas para desenvolver um sistema judicial fluido e moderno, capaz de antecipar o previsível crescimento da litigância judicial. Nesta sede, assume especial relevo a promoção e a divulgação dos mecanismos alternativos de composição dos litígios já introduzidos no quadro jurídico, como sejam a mediação e a arbitragem. Será ainda dada uma especial atenção à necessidade do reforço da capacidade do sistema judiciário, nomeadamente através da adopção das seguintes medidas: ? A concretização
da reforma da organização judiciária, incluindo
a introdução dos tribunais de pequenas causas. 5.8.2. Garantir melhores condições de segurança nas prisões. Promover políticas efectivas de reinserção social dos reclusos e crianças e jovens em conflito com a lei Na área dos serviços penitenciários, vai ser lançado um programa estratégico específico para a continuação do redimensionamento do parque prisional face ao aumento da população prisional e a sobrecarga dos actuais estabelecimentos prisionais, de forma a adequá-los à necessidade de uma mais efectiva separação de reclusos em função da idade, da distinção entre preventivos e condenados e dos níveis de perigosidade de certos reclusos, quando houver. Nesta área, serão igualmente executados projectos articulados que promovam a reinserção social de reclusos a partir das condições institucionais já criadas para o efeito. Especial atenção será dada à consolidação das medidas institucionais e legais já tomadas em matéria de enquadramento e reinserção social de crianças e jovens em conflito com a lei a par com a conclusão da reforma do sistema de justiça juvenil no quadro da revisão, em curso, do quadro legal e institucional da criança e do adolescente. 5.8.3. Prestar melhor serviço de registos notariado e identificação aos cidadãos e às empresas O processo de modernização e informatização dos serviços de registos notariado e identificação será generalizado a todo o país e serão estabelecidos novos serviços lá onde o crescimento da demanda revele a necessidade de reforço dos meios existentes, apostando-se sobretudo no acesso diferenciado aos serviços, utilizando a via on-line ou balcões diversificados incluindo as Câmaras de Comércio e Indústria e as Casas do Cidadão. Para a modernização das áreas vocacionadas para as empresas, serão concretizados os projectos na área da legislação comercial para adequar o sistema às crescentes exigências e complexidades das sociedades modernas. O processo de constituição de empresa no mesmo dia, em fase final de implementação será concluído rapidamente. A tabela de emolumentos será revista na limha das diversas propostas existentes nesta matéria. Continuará a ser dada especial atenção à promoção do registo das crianças à nascença com acções coordenadas com parceiros interessados. Paralelamente, promover-se-á de forma programada a formação dos agentes do sector e ampliar-se-à o quadro de pessoal lá onde se mostrar necessário. 5.8.4. Elevar o nível do combate à criminalidade e à droga De forma a fazer face com eficácia aos novos desafios emergentes, a estratégia do Governo pretende responder aos problemas e necessidades prioritários, de forma transversal, e orientada em função de três vertentes fundamentais: "
Redução de oferta de drogas através do reforço
de actividades de controlo de entrada e trânsito de drogas,
do reforço dos serviços repressivos e exploração
de formas mais eficazes de detecção e dissuasão
do tráfico no quadro da cooperação internacional
para o combate à criminalidade transnacional O Governo tomará, assim, as medidas pertinentes para uma melhor capacitação da Polícia Judiciária, quer quanto a nível do reforço dos recursos humanos, quer a nível da melhoria dos meios materiais e técnico-científicos para uma maior eficiência da sua actuação, para se fazer face aos desafios que se colocam à sociedade cabo-verdiana perante o surgimento de fenómenos de criminalidade cada vez mais complexa e organizada. Neste contexto, o apetrechamento do Laboratório de Polícia Cientifica, a aquisição de meios de vigilância e de obtenção de provas, a entrada em funcionamento do Sistema de Informação Criminal constituirão prioridade essencial dos próximos tempos no combate ao crime. Será promovida a adopção de uma Lei de Organização da Investigação Criminal, de molde repartir racionalmente as competências entre os diversos órgãos de polícia criminal existentes no país, permitindo que os mesmos órgãos dediquem o melhor do seu esforço, especialmente à criminalidade complexa ou tendencialmente organizada. A carreira dos agentes da investigação criminal será valorizada e dignificada, tornando-a mais atractiva e motivante. A cooperação internacional no domínio do combate à criminalidade organizada transnacional continuará a ser uma prioridade estratégica e o Governo estimulará a busca de parcerias entre os diversos órgãos e serviços encarregues da luta contra o tráfico de drogas e a criminalidade conexa com organizações internacionais congéneres com as quais possa celebrar acordos estratégicos de cooperação, Deste modo, prosseguir-se-á a estratégia nacional já definida na legislatura finda, no sentido do reforço da luta contra o tráfico e o consumo de droga, enquanto objectivo essencial para a redução da oferta de drogas, para a redução da procura e o combate cerrado à criminalidade transnacional e organizada. 5.9. Segurança nacional ao serviço da democracia e do desenvolvimento: promover a segurança das pessoas e bens e afirmar a autoridade do Estado Os efeitos da globalização e da dinâmica de desenvolvimento económico do país criaram mais riquezas e mais oportunidades e melhoraram a qualidade de vida das pessoas mas também fizeram aumentar os factores de risco e introduziram novas ameaças à Paz, à segurança e à estabilidade política e social. A rapidez e a sofisticação das comunicações, a fragilidade ambiental, as possibilidades de acesso a armas extremamente sofisticadas e das mais variadas espécies, a criminalidade organizada, o tráfico de drogas, de armas e de seres humanos, o branqueamento de capitais, são apenas alguns dos muitos factos da vida moderna que podem servir de suporte à nossa afirmação. São factos que constituem autênticos desafios a todos os cidadãos e não apenas aos órgãos do Estado e que requerem uma importante coordenação de esforços com vista à necessária articulação de acção entre o Estado e a sociedade civil com o objectivo de se conseguir a desejada eficácia e no mais estrito respeito pelos direitos e garantias individuais. Para isso, há que adoptar e assumir uma concepção de segurança nacional que coloque a defesa da legalidade democrática e o respeito pelas liberdades e das garantias do cidadão no primeiro plano das suas preocupações, sem contudo descuidar a segurança dos bens, a segurança alimentar e ambiental, a prevenção e a redução dos efeitos negativos das catástrofes naturais e a segurança rodoviária, sem esquecer a imprescindível contribuição dada pelas entidades ligadas à Saúde Pública quando desenvolvem actividades de luta contra as doenças como o HIV/SIDA ou outras epidemias. A concepção de Segurança nacional assumida pelo Governo não podia, assim, deixar de ser integrada e tendo em devida conta a situação internacional e a realidade nacional. A componente da Segurança Nacional ligada à política externa tende a ganhar importância crescente e ganha uma relevância renovada a utilidade do nosso país no quadro internacional de procura de caminhos para a Paz. Neste quadro, a Segurança cooperativa deve também transformar-se num importante factor de política externa e da acção diplomática do Estado. O Governo vai continuar a encorajar reflexões e estudos sobre a Segurança Nacional, como fez ao longo dos últimos anos e adoptar medidas institucionais consentâneas e correspondentes, como foi o caso em relação ao "Conceito Estratégico de Defesa e Segurança Nacional" e vai continuar a adoptar medidas legais e institucionais visando a operacionalização das orientações estratégicas contidas neste importante documento. O alargamento do debate dessas orientações a toda a sociedade será prosseguido, permitindo a socialização dos valores nacionais permanentes e contribuindo para que haja uma consciência nacional mais apurada das vulnerabilidades nacionais; o conhecimento mais apurado das principais alianças a construir, em função dos interesses nacionais; o envolvimento crescente de sectores não militares nas questões de segurança nacional; bem como a renovação do contrato de confiança entre o país e as suas instituições de defesa e segurança nacional. Na sequência das reformas iniciadas na governação anterior, foi instituído um sistema de segurança nacional garantidor da tranquilidade e ordem pública e, logo, favorecedor do desenvolvimento, assente em três pilares fundamentais: as forças policiais (a Polícia Nacional e a Polícia Judiciária, já atrás referida), o Sistema de informações da República (SIR) e as Forças Armadas. Melhorar o sistema de coordenação e articulação dessas forças tendente ao desmantelamento de redes de crime organizado e ao reforço da segurança nacional, será um objectivo a ser prosseguido Criada muito recentemente, a Polícia Nacional enquadra a Polícia de Ordem Pública, a Guarda-fiscal, a Polícia Marítima, e a Polícia Florestal. O primeiro grande objectivo desta decisão foi a necessidade de procura de maior eficácia aliada à maior racionalização e eficácia na gestão dos meios e assegurar sob um comando único uma maior coordenação desses serviços vitais. Assim, o funcionamento efectivo da Polícia Nacional constituirá uma prioridade. A qualificação e especialização das diferentes forças policiais integradas na Polícia Nacional; o reforço da inteligência policial; a normalização progressiva da rácio polícia/população pela via da formação e ingresso de novos agentes policiais; o reforço dos meios técnicos e humanos das fronteiras; o reforço do policiamento de proximidade na lógica de prevenção do crime e da co-responsabilização dos cidadãos na produção da segurança; a consolidação da dinâmica da desconcentração das esquadras policiais e o reforço da operacionalidade das forças policiais, constituirão metas a prosseguir no sector. Paralelamente, a Polícia Nacional vai continuar a ser dotada dos meios necessários à melhoria da sua acção de garante da ordem pública e da legalidade democrática. Em conformidade com as normas constitucionais e as regras de controlo normais de um Estado de Direito Democrático deverá ser criado e posto a funcionar um Serviço de Informações da República (SIR), capaz de fornecer dados que permitam uma avaliação sistemática dos níveis de perigo e riscos nacionais que possam existir, bem como chamar a atenção das entidades especializadas legalmente competentes para a evolução dos principais factores de risco para a Segurança Nacional. A criação
do SIR é um factor de suma importância para a eficácia
do sistema integrado de defesa e segurança nacionais que se
pretende erigir, indispensável para a sustentabilidade do processo
de desenvolvimento económico, social e cultural do país,
a prevenção e o combate à grande criminalidade,
à protecção dos cidadãos e das instituições
democráticas e a salvaguarda da integridade e da unidade do
território nacional. As Forças Armadas devem continuar a ser adequadas à realidade nacional e a um sentido crescente da sua utilidade prática e não apenas doutrinária, e simultaneamente, continuar a consolidar a sua função constitucional de garante da Paz, da soberania, da estabilidade democrática e da unidade nacional e territorial. Foram adoptadas medidas que visam estruturar as Forças Armadas em duas componentes essenciais que são a Guarda Nacional, enquadrando a Polícia Militar e os Fuzileiros Navais, e a Guarda Costeira, com capacidade para reforçar a segurança interna nas cidades, a protecção do meio ambiente e dos pontos sensíveis, a segurança do litoral, do mar interior e, se possível, da zona económica exclusiva, bem como a busca e salvamento no alto-mar e o combate aos actos ilícitos, como o tráfico de estupefacientes, praticados no espaço marítimo sob jurisdição cabo-verdiana. As Forças
Armadas deverão continuar a ser, nos termos da Constituição
da República, uma instituição permanente e regular
e corporizam a política de defesa militar, a qual, deverá
ter em conta a reavaliação que actualmente se faz em
quase todos os países do mundo. O Governo vai continuar a encetar as medidas necessárias à constante adequação das estruturas, dos meios e dos procedimentos à realidade nacional e ao progresso tecnológico, devendo, para isso, procurar as parcerias internacionais para o efeito, adequar e alargar a cooperação militar com os parceiros tradicionais, adoptar instrumentos legais de programação militar, aprovar e implementar um novo diploma orgânico e adaptar a estrutura hierárquica das Forças Armadas à nova orgânica e à dinâmica do processo de desenvolvimento do país. A política de defesa militar deverá ser consentânea com o novo figurino de segurança mundial resultante das alterações ocorridas e que já ditaram a reavaliação do papel das forças armadas num número crescente de países. Com a aprovação
do regime geral das Forças Armadas foram criadas importantes
condições para se prosseguir a sua reestruturação.
Assim, o Governo desenvolverá as seguintes acções: "
Revisão da lei do serviço nacional obrigatório
e a sua regulamentação; 5.10. Protecção Civil ao Serviço Dos Cidadãos A segurança dos cidadãos, a prevenção das catástrofes, a preservação do meio e o equilíbrio ecológico; a protecção dos bens e infra-estruturas económicas e o normal funcionamento do tecido socio-económico constituem |