Gemidos
de Quebra Canela
De
longe, a frialdade dos sentimentos,
Do ano fatídico de mil novecentos
E oitenta e nove, um sentir ignoto,
Faz evocar Quebra Canela e um extinto.
Naquela tarde funesta dum Outono ido,
Longe de pensar sinistro, gemia a onda
Daquela praia, a dor do talento ignorado
Que alumiara a ignorância que corria doida.
O mortal, por sobre quem caiu a praga
Ao golpe cruel, algoz e frio, não resistiu
A verdade: nada há que à vida o traga.
O consolo à mágoa, ninguém conseguiu
E quem o fez, mais lhe afunda a chaga
A chaga interior que ainda o apoquenta.
Domingos Barbosa da Silva