Não
posso ser...
Não
posso ser outro
senão a voz que não cala
o silêncio que perturba
o destino da ausência.
Não
posso ser outro
senão rasgos frios da solidão
que sonham, que vegetam...
dentro de brandos suspiros.
Não
posso ser outro
que vive sem saber e sentir
a penugem fofosa da liberdade
ou do torrão em que nasceu.
Não
posso ser outro
senão a águia sensata
que vacila na noite incerta
tacteando pulmões da justiça.
Não
posso ser outro
senão o Verde ao longe
espiando os montes, o mar...
na frescura exalada pela imensidade.
Não,
sou tão igual
àqueles que trocam tudo:
o crime, a maldade
a indiferença, a injustiça...
pelo perfume dos morangos
e asas libertas de mariposas.