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Canto
I
Nas esperanças
e saudades de cretxeu
Plasmam sonhos mil vezes mutilados
Tornam maior cada amor de teus filhos
Presente em tudo que é teu.
Nada é
mais caro para mim
Que esta tua paisagem desoladora
Nada é menos secreto para ti
Que este amor mil vezes declarado.
Em cada peito
uma lareira de amor
Em cada pedra um sonho inerte
Em cada sonho um olhar arregalado ao céu
Espreitando a chuva e a aragem da vida.
Assim, poisado
sobre a água salgada
Nesta seara nunca adormecida
Teus filhos heróicos de Atlas servem
Segurando-te, para não te afundares.
Canto II
No nascer
do teu primeiro dia
O mar, o céu, a morabeza, o amor...
Deram ritmos às ondas da tua melancolia
E com rimas d'esperanças balsamam a dor.
Na aurora
do teu reverdecimento
Num campo sem flor e árvores sem folhas
Brilhou a proeza do teu encanto
Vibraram peitos com canções amenas.
Oh! Pátria
amada, colada em cada peito
Oh! Impossível e triste separação!
Dos ossos da minha carne, grito
O orgulho e as quimeras da minha ambição.
Viva a força
de cretxeu, nas tuas dores
Que rebenta os nervos do teu coração
Viva a firme morabeza das tuas flores
Que para ti morrem com grande paixão.
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