| Grafia
brasileira
OS
DONOS DA LÍNGUA PORTUGUESA João Ferreira Porto Foi pena que a nota publicada na Tribuna da Língua Lusa com o título de "Portugueses pensam que são donos da língua- Teimosia de intelectuais portugueses" não esteja assinada. A assinatura é a voz do diálogo. Em comentário à matéria, diríamos que achamos que os donos da língua portuguesa, se donos há, são todos os falantes de toda a comunidade internacional de língua portuguesa, não este ou aquele falante, mesmo que seja escritor ou intelectual. Havendo
uma comunidade de língua comum é a grafia de um acordo
comum a que deve ser adotada por todos os países que aderiram
ao acordo de adotar uma ortografia comum. Os
motivos para o atraso da implementação do Acordo, não
pertencem, ao que parece, nem aos intelectuais portugueses nem aos intelectuais
de nenhum outro país da Comunidade de Língua Portuguesa.
Há outras razões que importa conhecer: "No
artigo 3.º, o "Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa (1990)" previa a sua entrada em vigor a 1 de Janeiro
de 1994, mediante a ratificação de todos os membros. No
entanto, como apenas o Brasil, Cabo Verde e Portugal ratificaram o documento,
a sua entrada em vigor ficou pendente." "Assim,
em 17 de Julho de 1998, na cidade da Praia, Cabo Verde, foi assinado
um "Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua
Portuguesa" que retirou do texto original a data para a sua entrada
em vigor, mau grado continuar a ser necessária a ratificação
de todos os signatários para o Acordo de 1990 entrar em vigor.
Uma vez mais, apenas os parlamentos do Brasil, Portugal e Cabo Verde
aprovaram este protocolo." "Em
Julho de 2004, os chefes de estado e de governo da Comunidade dos Países
de Língua Portuguesa (CPLP), reunidos em São Tomé
e Príncipe, aprovaram um "Segundo Protocolo Modificativo
ao Acordo Ortográfico" que, para além de permitir
a adesão de Timor-Leste, previa que, em lugar de ratificação
por todos os países, fosse suficiente que três membros
da CPLP ratificassem este novo protocolo modificativo para que o Acordo
Ortográfico entrasse em vigor." "O Brasil ratificou o "Segundo Protocolo Modificativo" em Outubro do mesmo ano e, em Abril do ano seguinte (2005), Cabo Verde também cumpriu essa exigência. Falta apenas que mais um país da CPLP o faça e, por toda a ordem de razões, seria de esperar que fosse Portugal a fazê-lo. No
entanto, estranhamente, este assunto parece não ser prioritário
para o parlamento e o governo da República Portuguesa, alegadamente
pela falta do Vocabulário Ortográfico Comum, apresentado
como o principal impedimento à entrada em vigor do Acordo Ortgráfico. "Para
uma língua verdadeiramente comum é imprescindível
a existência de um Vocabulário Comum que inclua as grafias
consideradas correctas para todos os povos da lusofonia. É, por
exemplo, necessário que esse vocabulário tenha duplas
entradas nos casos de dupla grafia (ex.: académico e acadêmico,
facto e fato, dicção e dição, etc.), como,
em muitos casos, já regista o Dicionário Aurélio,
bem como delibere sobre o aportuguesamento de palavras estrangeiras,
a adopção de neologismos e as terminologias científicas
e técnicas. "Este
Vocabulário Ortográfico Comum, a elaborar pela Academia
Brasileira de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa, precederia
a entrada em vigor das normas do Acordo Ortográfico. Como este
trabalho prévio ainda está por fazer, há sérias
dúvidas se o acordo deveria avançar para a entrada em
vigor imediatamente ou se, pelo contrário, só deveria
ser considerado após a elaboração e a publicação
do Vocabulário. "Torna-se, assim, indispensável a união de esforços para que os termos de um vocabulário comum sejam aprovados pelos Estados interessados na língua comum. A Academia Brasileira de Letras está adiantada no estudo Academia das Ciências de Lisboa, com o seu dicionário de 70 mil entradas, de 2001, está ainda longe desse objectivo. Ora
enquanto não houver vocabulário comum, não se poderá
falar numa língua comum e, para a univocidade, não adianta
que cada país tenha o seu próprio vocabulário legalizado." "Para uma língua verdadeiramente comum é imprescindível a existência de um Vocabulário Comum que inclua as grafias consideradas correctas para todos os povos da lusofonia.
É, por exemplo, necessário que esse vocabulário
tenha duplas entradas nos casos de dupla grafia (ex.: académico
e acadêmico, facto e fato, dicção e dição,
etc.), como, em muitos casos, já regista o Dicionário
Aurélio, bem como delibere sobre o aportuguesamento de palavras
estrangeiras, a adopção de neologismos e as terminologias
científicas e técnicas." "Este
Vocabulário Ortográfico Comum, a elaborar pela Academia
Brasileira de Letras e pela Academia das Ciências de Lisboa, precederia
a entrada em vigor das normas do Acordo Ortográfico. Como este
trabalho prévio ainda está por fazer, há sérias
dúvidas se o acordo deveria avançar para a entrada em
vigor imediatamente ou se, pelo contrário, só deveria
ser considerado após a elaboração e a publicação
do Vocabulário." "A resistência à mudança, no caso da adopção do Acordo Ortográfico, compreende-se por vários motivos: há pessoas que se lhe opõem por idiossincrasia, outras porque receiam não saber escrever pelas novas regras, muitas porque as alterações na escrita envolvem problemas económicos importantes (novos investimentos em edições de dicionários e livros didácticos, renovação de bibliotecas, etc). "(Dados extraídos de Wikipédia - A Enciclopédia Livre). |