Cabo Verde: Golfinhos ainda a dar à costa na Boa Vista, 265 já morreram
21 de Novembro de 2007, 13:49


Cidade da Praia, 21 Nov (Lusa) - As autoridades marítimas da ilha da Boavista, Cabo Verde, estão hoje a tentar salvar dois golfinhos que se encontram nas imediações da costa e em vias de morrer.

Os animais fazem parte de um grupo de 65 golfinhos que foram salvos na ilha e dos quais seis regressaram e acabaram por morrer na segunda-feira, disse à Agência Lusa a representante na ilha do Ministério do Ambiente e Agricultura, Ivone Delgado.

As autoridades marítimas cabo-verdianas tentam agora descobrir a causa da morte 265 de golfinhos na ilha da Boavista, após terem encalhado numa das praias da ilha, desde domingo.

Por enquanto ao Instituto Nacional de Desenvolvimento das pescas não avança a causa do desastre ambiental.
A bióloga Vanda Évora, em declarações à Agência Lusa, admite que o desastre possa estar relacionado com a presença, em águas de Cavo Verde, de um submarino norte-americano, que esteve no porto do Mindelo e se fez ao mar no passado sábado, um dia antes das primeiras mortes de golfinhos.

Mas a bióloga não exclui outras possibilidades, lembrando à Lusa que, em 2003, 165 golfinhos da mesma espécie encalharam e acabaram por morrer na ilha de Santa Luzia e um mês depois 150 morreram na ilha do Maio. Na altura não foi referenciado qualquer barco de guerra nas redondezas.

Fonte da Direcção geral de Ambiente de Cabo Verde disse à Lusa que não foi possível fazer análises aos animais que deram à costa na segunda-feira, pois os populares levaram-nos para casa, para os comerem.

Já em 2003 a revista Nature admitia que os sonares dos navios militares poderiam estar na origem de uma doença nos cetáceos, atribuindo a essa causa a morte de 14 baleias na zona das Canárias em 2002, quando se realizava ali um exercício naval internacional.

Segundo a Nature, os sintomas da doença são semelhantes aos que apresentam os mergulhadores quando sujeitos a variações bruscas de pressão e levam ao encalhe nas praias e morte dos animais, com congestões vasculares e pequenas hemorragias nos órgãos vitais.

Na altura, os autores do estudo, uma equipa de biólogos anglo-espanhois, dirigida por um responsável da Sociedade de Zoologia de Londres, admitiam que os sinais acústicos emitidos pelos sonares desorientam os mamíferos , forçando-os a emergir muito rapidamente.

Já este mês, cientistas espanhóis culparam os sonares de embarcações militares da morte de 24 baleias e golfinhos, no início de Novembro, no sul do Mediterrâneo.

O submarino norte-americano USS Annapolis (SSN760) esteve na semana passada atracado no porto do Mindelo, ilha de São Vicente, fazendo-se ao mar no passado sábado.

Cabo Verde foi o primeiro país da Africa Ocidental e Central a ser visitado por um submarino dos Estados Unidos, que está na região em missão de patrulhamento e recolha de informações sobre o tráfico de estupefacientes e emigração ilegal.


FP/CLI.
Lusa/fim


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