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5 de Julho de 2007 Dia Nacional de Cabo Verde
32
ANOS DE INDEPENDÊNCIA Faz hoje
32 anos que Abílio Duarte, então presidente da Assembleia
Nacional, declarou na cidade da Praia a independência de Cabo
Verde. Praia, 5 Julho - Faz hoje 32 anos que Abílio Duarte, então presidente da Assembleia Nacional, declarou na cidade da Praia a independência de Cabo Verde. Com esta declaração, concluía-se um período de transição, consequente ao golpe militar revolucionário de 25 de Abril de 1974 em Portugal que derrubou o regime colonial-fascista e abriu caminho ao fim das guerras coloniais, à implantação da democracia naquele país e às negociações com os movimentos independentistas que conduziram à afirmação das independências nacionais nos países até então dominados pelo colonialismo português. Em 12 de Novembro de 1974, iniciavam-se em Lisboa negociações entre Portugal e o PAIGC que culminaram na declaração da Independência de Cabo Verde. Apesar das vozes que então a isso se declaravam contrárias tanto no arquipélago como em Bissau, Cabo Verde e Guiné associaram-se. Cinco anos depois, essa associação foi desfeita, seguindo cada um dos dois países (Guiné-Bissau e Cabo Verde) os seus próprios caminhos em separado. Cabo Verde vive hoje em regime democrático e de estabilidade política, condições fundamentais para o sucesso dos seus esforços pelo desenvolvimento económico e social. --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- A coluna do Dr. Azágua
Numa altura em que Cabo Verde celebra os 32 anos da sua independência, é importante recordar o contexto continental desse acontecimento, e a relação que a independência dos outros países lusófonos, nomeadamente Guiné-Bissau, Angola, São Tomé e Príncipe, e Moçambique, significou para a nova dinâmica libertadora que se instalou em África. O espírito de solidariedade que prevalecia então entre os movimentos de libertação ditava que os problemas de um eram os problemas de todos. Esse era o espírito da luta da libertação. Hoje as coisas mudaram. Os países outrora dominados, hoje são estados independentes e soberanos. Os antigos movimentos de libertação transformaram-se em partidos políticos no governo. Os problemas de um já não são mais os problemas de todos, e o conceito de soberania elevado a um coeficiente celestial. Cada um é soberano no seu canto, mesmo que precariamente soberano. Neste novo ambiente de Estado e de soberania, com todas as suas características convencionais, Cabo Verde comemorou, no dia 5 de Julho, o aniversário da sua independência. Mas que independência? Uma independência que a maioria do povo espera que um dia venha a ter o significado que a independência na verdade deve significar. Ser independente e soberano não significa somente ter uma bandeira, um escudo e um Presidente. É muito mais do que isso. Significa, em primeiro lugar, estar livre da fome e dos outros males que a miséria carrega dentro de si. Significa habitação condigna, viver em ambiente limpo, ter acesso livre a cuidados médicos e à educação, ter a liberdade de escolha e de expressar livremente os seus pensamentos sem receio de represálias. Julgada por estes indicadores, a independência de Cabo Verde está muito longe de alcançar o seu verdadeiro sentido. Um sentido que não é produto de um acto sagrado, mas, sim, resultado de trabalho árduo, e de uma direcção política esclarecida, capaz de englobar toda a sociedade na nobre missão da transformação nacional. O objectivo da independência económica não deve ser apenas objecto de discursos políticos em tempo de campanha. É um objectivo para o qual, infelizmente, não existem alternativas que excluam o triunfo, e em que a complacência não deve ser tolerada. Enquanto festejamos a independência, precisamos de reflectir sobre que tipo de país pretendemos construir. Um país de prosperidade, de tolerância mútua, onde as nossas diferenças são factores determinantes sobre o que merecemos ser. Não quero entrar nos méritos históricos da independência de Cabo Verde. Mas inevitavelmente após me deparar com o facto de que hoje estamos comemorando a independência do nosso querido país Cabo Verde, fico reflectindo se, de facto, somos realmente independentes. Se somos independentes, somos independentes de quê, ou de quem? Penso nisso, e logo me vem à memória a belíssima, triste e ideológica letra de Bob Marley que vos deixo em baixo. Como ele escreveu, de forma magistral, precisamos nos libertar da nossa escravidão mental. Toda a luta por qualquer tipo de independência, é primeiro travada em nível mental, seja uma batalha individual, de uma comunidade, de um povo ou de todo um país. Começa primeiro na mente. Podemos com sorte, encontrar alguém para partilhar nossas dores e dúvidas, vitórias e derrotas, mas ninguém lutará essa luta por nós. Não tenho duvidas de que é uma luta difícil de ser travada, mas a independência de um povo começa com cada um. É óptimo o facto de as distâncias entre povos, costumes e culturas, ter diminuído em virtude da globalização, através de recursos tecnológicos, mas existe um efeito colateral devastador. Sempre aceitamos a cultura dominante, a cultura hegemônica como padrão único de cultura. Aceitamos as imposições culturais, os sonhos e desejos enlatados, aceitamos a nossa condição de país emergente, subdesenvolvido. Cultuando outros sonhos, aceitamos a nossa condição de país analfabeto incluindo digital. Trocamos as nossas lutas por falsos sonhos, e assim, a nossa escravidão mental continua. Mesmo que no futuro o nosso país viva "o sonho americano-europeu" teremos conquistado esse modo de vida, mas a que preço? Podemos ter uma vida melhor, vender o nosso país para as corporações, mas a que preço? Acho que Cabo Verde está muito longe de ser independente. E não tenho dúvidas de que qualquer nível de verdadeira independência, não vai ser imposta ou conquistada por um presidente ou imperador. Mas sim, pela independência conquistada por cada indivíduo. E embora sejam feitas as reformas que precisam ser feitas, - reforma cultural, educacional, política e ética, sobretudo nos dias de hoje - precisamos mesmo é nos livrarmos da escravidão mental que nos é imposta a todo instante e superarmos a grande crise de auto-estima nacional que vivemos.
Essas são as reformas envisionadas pelo nosso imortal Amilcar
Lopes Cabral.
Bob
Marley Composição: Bob Marley
------------------------------------------------------------------------------------------------------ -------------------------------------------------------------------------------------------------------- Exposição
"Os Rostos da Claridade"
A inauguração contou com a presença do Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama que disse à revista África Today que «gostei muito da exposição até porque tenho, como é sabido, uma profunda ligação com Cabo Verde. Esta exposição serve para dar a conhecer à população de Portuguesa a época da claridade e a cidade do Mindelo»
A
exposição foi uma iniciativa da Embaixada de Cabo
Verde e da Câmara Municipal de Lisboa e vai estar aberta ao
público de 2ª a 6ª feira, entre as 10 e as 19 horas,
até dia 13 de Julho. --
------------------------------------------------------------------------------------------------------------- José
Augusto do Rosário Cabo
Verde No
momento em que comemora seu 32º aniversário, podemos
afirmar que efetivamente Cabo Verde atingiu sua maturidade. Já
não somos mais "Os flagelados do vento leste" como
descreveu o escritor caboverdiano Manuel Lopes em seu romance dos
idos "Claridosos." (*) Passou também por um período pós-independência conturbado, por total ausência de estrutura e experiência de sua gente na gestão de um país. Contudo tínhamos paz, uma fé incontestável e enorme vontade de trabalhar para construir uma nação. Com este três elementos superamos todas as adversidades, e o resultado é que Cabo Verde vem se transformando e crescendo a olhos vistos. Se antes nossos problemas estavam relacionados à falta de chuvas e as secas cíclicas, que nos foi atroz por séculos, proporcionadas pela nossa malfadada situação géo-climática, agora estes problemas estão relacionados ao progresso e a globalização, ou seja, não são outros que não os inevitáveis problemas sociais que o desenvolvimento traz em seu bojo. Mas Cabo Verde hoje está inserido em um contexto de evolução e desenvolvimento que surpreende até mesmo os mais otimistas. Atingimos tão surpreendentes índices de alfabetização, mortalidade infantil e desenvolvimento social que nos levaram em tempo recorde, a sair de uma condição de país pobre a uma condição de país de desenvolvimento médio, com grandes perspectivas de futuro.
O Cabo Verde de hoje é aquele que presta serviços e que explora o turismo, sua principal aposta de futuro, onde imensos hotéis de categoria internacional surgem a cada dia como se brotassem do solo. O Cabo Verde de hoje, é aquele de Cesária Évora, de Tito Paris, de Lura, de Mayra Andrade, de Tcheka e de tantos outros talentos de nossa música, que levam nossa bandeira a ser conhecida aos mais diversos e longínquos paises. É também o Cabo Verde que soube bem buscar seus parceiros, no caminho do desenvolvimento, e se fazer respeitado dada à competência de seu povo e seus representantes, dotados que foram por Deus de incrível capacidade intelectual. O Cabo Verde de hoje é aquele que desfruta do bom investimento que fez no passado na educação de suas crianças. Esta aposta hoje lhe proporciona tirar um maior proveito de seus quadros profissionais, os quais são expoentes positivos em várias frentes político-sociais, não só em Cabo Verde como espalhados pelo mundo. O Cabo Verde de hoje é aquele ainda de bases construídas sob sólida democracia e que goza de eterna estabilidade política, o que dá ao país enorme credibilidade. O Cabo Verde de hoje e seu povo seguem teimando em afrontar sua sorte e contrariar seu destino. O Cabo Verde de hoje, e o do amanhã que nesse momento se constrói, pela força de vontade de seu povo, quer em solo caboverdiano, quer espalhados na imensa diáspora, há que ser cada dia melhor. "Viva
Cabo Verde" |