Aquí
mora o vento sem descanso
Brigando com o mar.
A
terra mostra a ossatura
Furando a pele escura.
As
costas nuas de meter dó
E o vento nelas - brincando só.
O
mar raivando verdes agonias,
Espumando contra a praias
Talhandas em rocas frias.
As
árvores humildes e curvadas
Para o chao
Parecem velhinhas cansadas
Caminhando sem bordao.
Tempo,
ó tempo sem descanso,
Sempre a passar
Traz chuva, tempo...
Traz ilusao também
Lágrimas da terra mae.
Que
o vento, vento sem descanso,
Está com pressa de as secar.
Neves e Sousa
Aquí mora o vento